A
Reforma Trabalhista
trouxe significativa mudança
quanto à
NÃO obrigatoriedade do
desconto da contribuição sindical
, pois de acordo com o art. 579 da CLT,
a partir de 11.11.2017 (prazo estabelecido pela
Lei 13.467/2017
) o desconto da
contribuição sindical
está condicionado
à autorização prévia e expressa dos
empregados
, deixando de ser obrigatório o desconto de 1 dia do salário
no mês de março de cada ano.
Muitos
sindicatos, através das mais variadas nomenclaturas, estabelecem diversas
cobranças como contribuição confederativa, taxa assistencial, contribuição
retributiva, mensalidade sindical entre outras, gerando diversas dúvidas quanto
a legalidade da cobrança ou não.
Como a maior parte das
cobranças era feita diretamente pelas empresas através do desconto em folha de pagamento, o empregado, apesar da desconfiança,
acabava julgando que se a empresa descontou é sinal que era devido.
Mesmo
diante da Reforma Trabalhista, alguns sindicatos ainda conseguiram liminar na
Justiça do Trabalho obrigando o desconto da contribuição sindical, mediante
cláusula coletiva aprovada em assembleia geral, contrariando o próprio texto
legal estabelecido pela Lei 13.467/2017.
Para
por fim de vez ao impasse, o Governo publicou no dia 01/03/2019 a Medida Provisória 873/2019, estabelecendo as condições para
cada a cobrança das contribuições sindicais a partir de agora.
Com
base no princípio da liberdade sindical garantida pela Constituição Federal,
pela Reforma Trabalhista e pela Medida Provisória 873/2019,
cabe às empresas e aos empregados se precaverem sobre as novas regras.
De um
lado temos o empregado não
sindicalizado que pode usufruir o direito à liberdade sindical a
qual a lei lhe garante. Este
empregado não terá desconto de nenhuma contribuição instituída pelo sindicato
em folha de pagamento, sob hipótese alguma. O empregado não
sindicalizado, porém, poderá optar pelo pagamento da contribuição sindical (um
dia de salário) se fizer a
autorização POR ESCRITO. Neste caso, receberá um boleto bancário ou
equivalente eletrônico emitido pelo Sindicato, para quitação. Este boleto será
encaminhado obrigatoriamente à residência do empregado ou, na hipótese de
impossibilidade de recebimento, à sede da empresa, sendo vedado a empresa efetuar qualquer desconto em folha mesmo com
autorização.
Da mesma forma,
os empregados sindicalizados poderão
autorizar o sindicato que emita o boleto das contribuições instituídas
(confederativa, assistencial, mensalidade sindical). Desta forma, nos
termos do art. 545 da CLT qualquer contribuição sindical instituída, terá que ser autorizada POR ESCRITO pelo
empregado sindicalizado.
Também para os
empregados sindicalizados é vedado
qualquer desconto em folha de pagamento a partir de março/2019. Para
quitação da sua contribuição, ele receberá um boleto ou ou equivalente
eletrônico emitido pelo seu sindicato.
De outro lado temos a
empresa que, ainda que tenha em mãos uma convenção (aprovada em assembleia) a
qual estabeleça descontos de contribuições diversas. A partir de
01.03.2019, caso siga a convenção realizando o desconto em folha, terá que arcar com o ônus da devolução de tal valor
futuramente, bem como ser alvo de denúncias à Secretaria Especial de
Previdência e Trabalho - SEPT (Ministério do Trabalho) pela prática indevida.
Portanto,
seja o empregado sindicalizado ou não, a empresa NÃO PODE mais fazer o desconto da contribuição sindical em
folha, já que tal contribuição será feita diretamente (via boleto
bancário ou equivalente eletrônico) pelo empregado que a AUTORIZOU POR ESCRITO.
Até mesmo as demais contribuições instituídas pelos sindicatos (confederativa,
assistencial, mensalidade sindical), deverão ser pagas diretamente pelo empregado por meio de boleto bancário
enviado pelo sindicato.
Fonte:
Blog Trabalhista / Escrito por Sergio Ferreira Pantaleão, Advogado,
Administrador, responsável técnico do Guia Trabalhista e autor de
obras na área trabalhista e Previdenciária.