Prejuízos aos cofres públicos por crimes tributários
e lavagem de dinheiro são estimados em cerca de R$ 770 milhões, com
envolvimento de consultorias, escritórios de advocacia e servidores públicos.
A
Receita Federal, em ação conjunta com a Polícia Federal e o Ministério Público
Federal, nesta quinta-feira (07/05/2026), deflagrou concomitantemente a
Operação Títulos Podres e a Operação Consulesa (Fase 2), ambas com o objetivo
de desarticular organização criminosa, especializada na utilização de créditos
fiscais fraudulentos, conhecidos como "títulos podres", para a compensação
indevida de tributos federais.
Os
indícios revelaram a existência de uma enredada fraude envolvendo empresas e
prefeituras, causando prejuízo ao erário público, que foi se sofisticando com o
passar do tempo. O grupo atuava por meio de escritórios de advocacia,
consultorias tributárias e empresas de fachada, oferecendo supostas "soluções
tributárias" para redução ou quitação de débitos fiscais. A associação
criminosa passou a contar com servidores públicos para prática de estelionato,
gerando vultosos prejuízos aos cofres públicos e a empresas.
As
investigações revelaram uma estrutura altamente profissionalizada, com divisão
de tarefas, captação ativa de clientes, utilização de procurações eletrônicas,
além de mecanismos sofisticados de ocultação e dissimulação de valores, por
meio de empresas interpostas, contas de terceiros e movimentações pulverizadas,
caracterizando também a prática do crime de lavagem de dinheiro.
A
Operação Consulesa (Fase 2), cumpre 29 mandados de busca e apreensão e 4
mandados de prisão preventiva em empresas e residências em MG (Belo Horizonte,
Formiga, Capim Branco, Contagem e Nova Lima), SP (São Paulo) e RJ (Rio de
Janeiro e Maricá), visando sequestro e bloqueio de bens, afastamento da função
pública e diversas medidas cautelares pessoais, com desvios estimados da ordem
de R$ 670 milhões.
Enquanto
a Operação Títulos Podres cumpre 40 mandados de busca e apreensão e 6 mandados
de prisão temporária em MG (Belo Horizonte, Nova Lima, Contagem, Campo Belo,
Pouso Alegre e Itamarandiba), SP (São Paulo, Osasco, São José dos Campos,
Caraguatatuba e Praia Grande), ES (Cachoeiro do Itapemirim) e MA (Açailândia),
em desfavor de lideranças e operadores financeiros do esquema, havendo ao menos
dez advogados entre os investigados, com prejuízo estimado em R$ 100 milhões
aos cofres públicos. A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e valores
no montante aproximado de R$ 32 milhões, com o objetivo de assegurar o
ressarcimento dos danos causados ao erário.
A
ação tem como finalidade interromper a atividade da organização criminosa,
preservar provas, recuperar ativos e viabilizar a responsabilização penal dos
envolvidos, além de proteger a arrecadação pública e a concorrência leal no
ambiente empresarial. As investigações prosseguem com análise do material
apreendido e aprofundamento das diligências para identificação de outros
envolvidos e da extensão total das fraudes praticadas.
Fonte:
Receita Federal do Brasil, com edição do texto pela M&M
Assessoria Contábil