NBC TG 51 alinhada à IFRS 18 muda regras de
apresentação das demonstrações financeiras e deve impactar contabilidade,
auditoria, compliance e tecnologia nas empresas.
A nova norma contábil NBC TG 51, aprovada para
convergir às regras da IFRS 18
no Brasil, deve alterar a forma de apresentação das demonstrações financeiras
das empresas e exigir adaptações operacionais, tecnológicas e de governança até
sua entrada em vigor, prevista para exercícios iniciados a partir de janeiro de
2027. A mudança impactará principalmente a estrutura da Demonstração do
Resultado do Exercício (DRE), os
critérios de classificação de receitas e despesas e a divulgação de indicadores
financeiros utilizados pelas companhias.
As novas exigências deverão
atingir áreas como contabilidade,
controladoria, auditoria, compliance, tecnologia da informação e relações com
investidores. Especialistas apontam que o processo de adequação exigirá revisão
de planos de contas, parametrização de sistemas, atualização de ERPs e
alinhamento das demonstrações financeiras aos novos padrões internacionais.
Segundo Gabriel Barros, diretor
da SF Barros Contabilidade, a NBC TG 51 reduz a flexibilidade atualmente
existente na apresentação das demonstrações financeiras e estabelece critérios
mais uniformes para classificação e divulgação das informações contábeis.
"Com a NBC TG 51, receitas e
despesas deverão ser organizadas em categorias específicas, como atividades
operacionais, de investimento e de financiamento", afirma.
Nova norma altera estrutura da DRE
Uma das principais mudanças da
NBC TG 51 está relacionada à reorganização obrigatória da DRE. Pela nova regra,
receitas e despesas deverão ser classificadas conforme sua natureza
operacional, financeira ou de investimento.
Além disso, passam a existir
subtotais obrigatórios, incluindo lucro operacional e resultado antes do
financiamento e dos tributos. A proposta busca ampliar a comparabilidade entre
empresas e reduzir diferenças provocadas por critérios próprios de apresentação
atualmente adotados pelas companhias.
De acordo com Barros, a mudança
exigirá ajustes relevantes nos processos contábeis internos.
Na prática, isso exigirá
revisão do plano de contas,
reclassificação de lançamentos contábeis, adequação de ERPs e atualização dos
sistemas gerenciais", afirma o especialista.
Empresas terão que iniciar adaptação antes da
obrigatoriedade
Embora a obrigatoriedade da NBC
TG 51 esteja prevista apenas para 2027, o processo de adaptação deve começar
ainda nos próximos meses, principalmente em empresas de maior porte ou com
estruturas societárias mais complexas.
Isso porque a implementação
envolve mudanças operacionais que podem demandar longo período de preparação,
incluindo revisão de processos internos, treinamento de equipes, adequação
tecnológica e alinhamento com auditorias independentes.
Outro fator de atenção é o
efeito retrospectivo previsto pela norma, que exigirá a reapresentação
comparativa de demonstrações financeiras conforme os novos critérios.
Segundo Barros, o adiamento das
adequações pode elevar riscos de inconsistências contábeis e dificuldades
operacionais.
"Mais do que uma alteração
contábil, a NBC TG 51 representa uma mudança relevante na comunicação
financeira das empresas", destaca Barros.
Indicadores financeiros passarão a ter regras mais
rígidas
A NBC TG 51 também amplia as
exigências relacionadas às chamadas Medidas de Desempenho Definidas pela Gestão
(MPMs), indicadores frequentemente utilizados por empresas em apresentações ao
mercado, como EBITDA ajustado, lucro recorrente e margens ajustadas.
Com a nova regulamentação,
essas métricas continuarão podendo ser divulgadas, mas precisarão apresentar
conciliações detalhadas com os números constantes nas demonstrações financeiras
auditadas.
As empresas também deverão
informar critérios metodológicos, justificativas dos ajustes realizados e
manter consistência entre os períodos apresentados.
Essas informações deverão
constar nas notas explicativas e
passarão a integrar o escopo de validação das auditorias independentes.
Impactos devem atingir contabilidade, TI e
compliance
A implementação da NBC TG 51
deverá exigir atuação integrada entre diversas áreas corporativas. Além da
contabilidade e controladoria, setores de tecnologia da informação terão papel
relevante na revisão de integrações sistêmicas e parametrização dos ERPs.
Compliance e relações com
investidores também precisarão revisar processos de divulgação financeira para
adequação às novas exigências de rastreabilidade e transparência das
informações contábeis.
Segundo Gabriel Barros, a
tendência é que auditorias independentes ampliem os testes relacionados à
classificação contábil e às métricas gerenciais divulgadas pelas companhias.
"Outro desafio relevante será
ampliar a documentação e a rastreabilidade das classificações contábeis e dos
indicadores gerenciais divulgados pelas empresas", frisa Barros.
Comparabilidade entre empresas é um dos focos da
IFRS 18
A convergência da NBC TG 51 à
IFRS 18 busca criar maior uniformidade na comunicação financeira das empresas
brasileiras em relação aos padrões internacionais.
Na avaliação de especialistas,
a padronização das demonstrações financeiras tende a facilitar análises
realizadas por investidores, bancos, analistas de mercado e agências de
classificação de risco.
Com critérios mais homogêneos
para classificação das informações financeiras, o mercado poderá comparar
resultados entre empresas e setores com menor nível de subjetividade contábil.
Na avaliação de Gabriel Barros,
a NBC TG 51 tende a aumentar a transparência e padronizar a leitura dos resultados
financeiros pelas empresas.
Fonte:
Contábeis