Os programas de aprendizagem prepararam futuros profissionais e
fortalecem equipes, além de contribuem diretamente na inclusão social ao serem
uma das formas mais eficazes de erradicação do trabalho infantil.
Contratar aprendizes vai
muito além do cumprimento de uma obrigação legal. Para muitas empresas, a
aprendizagem profissional tem se consolidado como uma oportunidade de formar
talentos, preparar futuros profissionais e contribuir para a transformação
social de adolescentes e jovens que buscam a primeira experiência no mercado de
trabalho.
A aprendizagem
profissional é considerada uma das principais portas de entrada para o mundo do
trabalho de forma protegida, conciliando formação, experiência prática e
permanência na escola.
Além de beneficiar os
jovens, a aprendizagem gera vantagens para as organizações ao permitir a
formação de profissionais alinhados à cultura da empresa, facilitando a
renovação das equipes e fortalecendo o compromisso social das empresas.
Qualquer empresa pode
contratar aprendizes?
Toda empresa pode
contribuir com a formação de jovens, no entanto, de acordo com a Lei da
Aprendizagem, a contratação é obrigatória para empresas de médio e grande
porte. Conforme a legislação, essas entidades devem manter aprendizes em número
equivalente a 5% e 15% das funções que demandem formação profissional.
A contratação pode ser
feita com adolescentes e jovens entre 14 e 24 anos incompletos (limite etário
que não se aplica às pessoas com deficiência). O contrato de aprendizagem é
formalizado com carteira assinada e garante direitos trabalhistas e
previdenciários, como salário, férias, 13º salário e vale-transporte.
Além da experiência
prática na empresa, o jovem participa de atividades de formação oferecidas por
entidades qualificadoras.
Parceria entre empresas e
entidades formadoras
Segundo Ismael Angelo,
supervisor de atendimento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) no
Distrito Federal, a participação da entidade formadora é um dos pilares do
programa. "A aprendizagem só existe quando o estudante tem o contrato assinado
como aprendiz e está regularmente matriculado em uma entidade formadora",
explica.
Quais as vantagens para as
empresas?
Os benefícios da
aprendizagem vão além do cumprimento da legislação e podem gerar resultados
concretos para as organizações.
- Formação de talentos: A
empresa pode desenvolver profissionais de acordo com sua cultura
organizacional, seus processos e suas necessidades específicas.
- Renovação das equipes: A
aprendizagem ajuda a identificar e preparar novos talentos, contribuindo
para a sucessão e a renovação do quadro de pessoal.
- Maior facilidade de contratação: Ao
final do programa, a empresa pode efetivar jovens que já conhecem a
rotina, os sistemas e os valores da organização, reduzindo o tempo de
adaptação.
- Desenvolvimento de profissionais para o
mercado: Mesmo quando não há efetivação, a empresa
contribui para a formação de trabalhadores qualificados, fortalecendo o
ambiente de negócios e o mercado de trabalho.
- Impacto social positivo: Ao
oferecer oportunidades de qualificação e experiência profissional protegida,
a empresa contribui para a inclusão social de adolescentes e jovens e para
o combate ao trabalho infantil.
Formação de mão de obra para o futuro
No Centro Universitário
de Brasília (CEUB), a aprendizagem é vista como uma estratégia para desenvolver
profissionais e identificar potenciais talentos para futuras contratações.
Os jovens participam de
uma trilha de desenvolvimento que inclui:
- Orientação vocacional;
- Educação financeira;
- Capacitação digital; e
- Acompanhamento profissional ao longo do
programa.
Segundo Amanda Araújo,
especialista de Recursos Humanos da instituição, o objetivo é enxergar a
aprendizagem para além da obrigação legal. Para ela, uma das maiores vantagens
está justamente na possibilidade de formar profissionais desde o início da
trajetória.
"Muitas empresas adotam
a cota apenas como obrigação. A gente tenta trazer um valor agregado a isso",
disse. "Para a gente, é muito vantajoso ter uma pessoa já praticamente formada
dentro dos nossos sistemas e dentro da nossa cultura. Então, ela começa a
performar muito mais rápido", completou.
De acordo com Amanda,
cerca de metade dos jovens que concluem o programa de aprendizagem na
instituição acabam sendo contratados pela própria instituição. "A nossa média é
de aproximadamente 50% de contratação. Ao final dos dois anos, muitos jovens já
estão preparados para ocupar cargos iniciais da instituição", explica.
Profissionais capacitados
para o mercado de trabalho e longe do trabalho infantil
Com a aprendizagem,
empresas, jovens e a sociedade brasileira ganham com esse modo de
contratação.
- Aprendizes: desenvolvem
habilidades profissionais e comportamentais importantes para qualquer
carreira.
- Empresas: Diversificam
o quadro de profissionais e aumentam a possibilidade de contratação de
empregados qualificados após o fim do contrato de aprendizagem.
- Sociedade: Impacto
direto na erradicação do trabalho infantil, inclusão social de jovens em
situação de vulnerabilidade e aumento de mão de obra
qualificada entre os jovens que vão iniciar a carreira profissional.
Segundo o superfisor do
CIEE, a experiência permite que os jovens adquiram competências valorizadas
pelo mercado, como responsabilidade, comunicação, relacionamento interpessoal e
compromisso com resultados. "Quando o empresário contrata um jovem que vai
formar, ele pode ter lá na frente alguém da confiança dele para contratar e dar
continuidade ao trabalho", ressalta Ismael Angelo.
Impacto que vai além das
empresas
Os benefícios da
aprendizagem profissional não se limitam ao ambiente corporativo. Ao oferecer
qualificação, renda e experiência profissional protegida, o programa amplia
oportunidades para adolescentes e jovens e ajuda a romper ciclos de
vulnerabilidade social.
É o que explica o
coordenador nacional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de
Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho, ministro Alberto Bastos
Balazeiro, ao destacar a aprendizagem como uma das ferramentas para enfrentar o
trabalho infantil.
"Trabalho infantil e
aprendizagem são duas faces de uma mesma moeda, porque a forma mais eficaz de
combater a exploração de crianças e adolescentes é justamente promover a
aprendizagem profissional", afirma.
Ao abrir espaço para
aprendizes, as empresas ajudam a formar profissionais, ampliam oportunidades
para a juventude e contribuem para a construção de uma sociedade mais
inclusiva. É uma iniciativa que beneficia os jovens, fortalece os negócios e
gera impactos positivos para toda a comunidade.
E a Justiça do Trabalho
atua em todo o país incentivando a aprendizagem para empresas. A juíza Viviane
Christine Martins Ferreira, gestora nacional do programa na região Nordeste,
destaca que os resultados positivos dessa política pública são refletidos em
toda a sociedade.
"A aprendizagem é uma
das principais políticas públicas de inclusão de adolescentes e jovens no mundo
do trabalho, com proteção social, trabalho decente e incentivo à permanência na
escola", observa.
Fonte:
Tribunal Superior do Trabalho, com edição do texto pela M&M
Assessoria Contábil