A modalidade alia estudo, qualificação e
contribui para formação de novos profissionais para o mercado de trabalho.
A aprendizagem profissional
é uma das principais portas de entrada para adolescentes e jovens no mundo do
trabalho de forma segura, protegida e com garantia de direitos. É uma
modalidade especial de contrato de trabalho que garante ao jovem aprendiz
formação técnico-profissional com atividades teóricas e práticas.
É um processo contínuo de formação e qualificação individual que
contribui para a construção coletiva de mão de obra que será inserida no
mercado de trabalho no futuro. Além disso, é uma ótima aliada na erradicação do
trabalho infantil e da evasão escolar.
Primeiros passos com segurança e
independência
Maria Eduarda Oliveira tem 17 anos e trabalha como aprendiz em uma
faculdade particular em Brasília (DF). Segundo ela, a experiência tem
proporcionado transformações pessoais. "Sempre fui muito tímida, com
dificuldade de falar em público e de trabalhar em equipe, mas hoje, vejo que,
com meu esforço aqui no trabalho, tenho conseguido superar essas dificuldades".
Eduarda destaca também a importância de ganhar seu próprio dinheiro e
como isso contribui para seu amadurecimento. "Desde pequena, meus pais me
ensinaram o valor do trabalho e do dinheiro", disse. "Ter minha própria renda é
muito gratificante, porque é fruto do meu trabalho", completou.
A estudante reconhece os desafios de conciliar estudo e trabalho, mas
considera que a experiência tem sido importante para sua formação pessoal
e profissional. "É cansativo, mas estou dando os primeiros passos para um
futuro com mais possibilidades profissionais e fico feliz com o caminho que
estou traçando".
Regido pela Lei da
Aprendizagem (Lei 10.097/2000), o contrato de aprendizagem
tem duração de até dois anos e deve ser registrado em Carteira de Trabalho para
ter validade. Podem ser contratados como aprendizes jovens com idade entre 14 e
24 anos incompletos, desde que estejam matriculados em instituições de
qualificação profissional credenciadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O limite etário não se aplica a pessoas com deficiência.
A aprendizagem profissional assegura alguns direitos trabalhistas e
previdenciários, entre eles:
- Carteira de trabalho assinada;
- Remuneração proporcional ao salário mínimo por
hora trabalhada;
- Jornada reduzida de até seis horas diárias,
para conciliar trabalho e estudo;
- Direito a FGTS com alíquota de 2%;
- 13º salário;
- Vale-transporte; e
- Férias (preferencialmente coincidindo com o
recesso escolar).
Valor social das empresas nessa
integração estudo e trabalho
A aprendizagem também beneficia toda a sociedade. As empresas contribuem
para a formação de novos profissionais, fortalecem a responsabilidade social e
ajudam a construir um mercado de trabalho mais inclusivo e humano.
Empresário do ramo de alimentação em Brasília há 18 anos, Hélio Bernardo
de Azevedo começou a trabalhar aos 14 com carteira assinada e, por experiência
própria, conhece a importância da integração entre estudo e trabalho. Por isso,
ao se tornar empregador, sempre deu oportunidades para estagiários e jovens
aprendizes em sua empresa.
"É nosso papel formar pessoas e, ao contratar esses jovens, abrimos um
caminho seguro para o início da sua vida profissional", ressalta. "Esse jovem
pode até não seguir carreira na nossa empresa, mas estamos fazendo a nossa
parte em entregar uma pessoa melhor para a sociedade".
Recorde de aprendizes no país
O Brasil conta atualmente com mais de 726 mil jovens no mercado de
trabalho contratados nessa modalidade. Os dados do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) também apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o país
registrou saldo positivo de 54,8 mil contratações. Desse total, 5,7 mil
foram abertos pela Indústria, seguida pelos setores de Serviços (7,6 mil),
Comércio (5 mil), Construção Civil (5 mil) e Agropecuária (1,3 mil).
O número, além de estabelecer um recorde histórico, comprova a
importância dessa oportunidade de qualificação, inclusão social e construção de
perspectivas de um futuro digno para esses milhares de jovens.
Aprendizagem como ferramenta de
erradicação do trabalho infantil
Em contraste com essa realidade, a Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD Contínua/IBGE) revela que o Brasil ainda tem mais de 1,6 milhão
de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho
infantil. Nesse contexto, a aprendizagem é um instrumento efetivo para combater
o trabalho precoce ao oferecer oportunidades seguras de inserção no mercado de
trabalho.
Para o ministro Alberto Balazeiro, coordenador nacional do Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem da Justiça do
Trabalho, a aprendizagem é uma ferramenta de transformação social que amplia
oportunidades para uma trajetória digna no mercado de trabalho.
"Além de proporcionar uma porta de entrada segura ao mundo do trabalho,
ela permite que o jovem desenvolva habilidades profissionais sem abrir mão dos
estudos e da convivência familiar".
Pilares da Aprendizagem
A educação já não se limita ao ensino tradicional nas escolas, mas
expandiu-se para abranger a aprendizagem ao longo da vida e em todas as áreas
da vida.
É um instrumento capaz de
melhorar a empregabilidade por meio da requalificação e do aprimoramento
das habilidades pessoais.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) desenvolveu uma visão educacional focada em quatro pilares que
representam uma nova visão de educação:
- Aprender a Conhecer;
- Aprender a Fazer;
- Aprender a Conviver e
- Aprender a Ser.
Esses pilares de educação promovem a formação de
cidadãos mais conscientes e críticos incorporando habilidades e
competências essenciais para o desenvolvimento pessoal e profissional.
Fonte:
Conselho Superior da Justiça do Trabalho