O diretor do Departamento de Saúde e Segurança do Ministério do Trabalho, Paulo Pena, destacou em sua apresentação alguns conclusões de estudos recentes sobre o tema. O álcool é responsável no Brasil por 50 % das faltas ao trabalho, por 95% das dependências químicas; 90% das urgências psiquiátricas; e 50% das por mortes no trânsito.
Os estudos indicam o álcool com um dos responsáveis dos mais de 339 mil acidentes de trabalho que ocorreram no Brasil em 2002. Em nível mundial, aconteceram 270 milhões de acidentes de trabalho e 330 mil mortes, em 2000. Em todo o mundo, 160 milhões de trabalhadores tornaram-se dependentes do álcool em 2002. Os dados fazem parte do relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que traz um diagnóstico das conseqüências do uso do álcool na vida profissional.
Em 2001, foram reconhecidos no Brasil 17 mil casos de doenças de trabalho provocadas pelo uso abusivo de álcool. Os profissionais mais suscetíveis à dependência alcoólica, segundo o relatório, são os trabalhadores em fundições, cozinheiros, profissionais do ramo de bares e restaurantes e trabalhadores da construção civil. Verificou-se que em relação à gravidade dos acidentes o alcoolismo, por reduzir os reflexos, a atenção e alterações psicomotoras, é um dos principais agravantes dos acidentes.
O alcoolismo causa diversas doenças. Em sua exposição Paulo Pena destacou as doenças mais freqüentes provocadas pelo alcoolismo, como as inflamações dos nervos de várias regiões do corpo, as polineurites, e a cirrose. Alguns doenças profissionais também são agravadas pelo o uso de álcool. É caso daqueles trabalhadores que são expostos a agentes neurotrópicos, como o sulfeto de carbono, brometo de metila e chumbo, que já estão sujeitos a desenvolver diversas doenças.
O estudo apresenta um grande número de crianças e adolescentes que tiveram contato com álcool e drogas em geral. São cerca de 3,5 milhões de crianças e jovens que tiveram acesso precoce às drogas.
A prevenção, a educação e conscientização para os efeitos negativos do alcoolismo são os principais caminhados apresentados por Paulo Pena. Ele reconheceu que a abordagem é complexa por que vai além da medicina e da segurança no trabalho. É preciso fazer trabalho visando o indivíduo, o ambiente de trabalho e social. A abordagem tem que levar em consideração, entre outros fatores, as doenças provocadas pelo alcoolismo e seus efeitos sobre a produtividade no trabalho.