Os pagamentos por meio eletrônico já superam aqueles realizados em papel no Brasil, exceto os realizados em papel-moeda. O estudo revela que, de 1999 ao final de 2003, o total de pagamentos em cheques passou de 63,5% para 40,7% em volume e de 42,4% para 22,1% em valor. Os pagamentos por meio eletrônico cresceram, em volume, de 15,2% para 16,4%; as transferências de crédito (TED, DOC e Bloquetos de Cobrança), de 5,3% para 11,3%; os débitos diretos, de 13,4% para 19,6%; os cartões de crédito e de débito, de 2,6% para 12,0%. Essa mudança foi influenciada pelos aperfeiçoamentos do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), implantados a partir de abril de 2002.
O “Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil”, elaborado pelo Deban, é um documento que abrange a utilização dos diferentes instrumentos de pagamentos. Apresentado de forma didática, o diagnóstico enfoca os aspectos conceituais, a experiência internacional (referenciada em amostra de nove países) e a situação atual do Brasil, o que permite indicar pontos de ineficiência e recomendações de aperfeiçoamento.
De acordo com o chefe do Deban, José Antonio Marciano, o estudo deve contribuir para que o Banco Central e os demais integrantes do sistema financeiro encontrem alternativas para aumentar a segurança e a eficiência dos instrumentos de pagamentos de varejo no mercado brasileiro. O diagnóstico também traz grande número de informações quantitativas e qualitativas sobre os instrumentos de pagamento e análises dos técnicos do BC sobre as tendências de uso no Brasil.
A divulgação dos estudos reflete um novo cenário na implementação do projeto de reformulação do SPB. Depois de aperfeiçoar a infra-estrutura de liquidação interbancária, com investimentos pesados em tecnologia, e de determinar novas regras para funcionamento da conta Reservas Bancárias e das câmaras de compensação e de liquidação, o Banco Central passa a atuar como promotor de mudanças que poderão beneficiar diretamente a população na hora das compras.
Segundo Marciano, os bancos podem trabalhar de forma mais eficiente no varejo. “Atualmente, existem no país 28 diferentes redes de terminais bancários e quatro para cartões, razão da existência de tantos terminais de bancos em um mesmo local e de vários terminais de cartões no balcão do comerciante”, afirmou, explicando que, à medida que os sistemas forem interligados, os custos diminuem e os consumidores poderão se beneficiar com mais opções na hora de fazer saques ou efetuar compras.
Para Marciano, o trabalho conduzido pelo BC, no que se refere a pagamentos de varejo, vai além da preocupação com o risco sistêmico. O que justifica o envolvimento dos bancos centrais é a necessidade de a população confiar na sua moeda e no sistema de pagamentos. A promoção desse aperfeiçoamento constante visa justamente assegurar mais eficiência, com custos menores e com máxima segurança.