- Oba! O anúncio dos ensaios da banda já foram afixados no mural…
- Que legal! Vou avisar a Marisa e o João Vicente. Eles também gostam de tocar na banda.
- Os ensaios serão à noite. Após as 19:30 horas. Bom horário…
- Gente! Um minuto de atenção, por favor: Todos amanhã aqui na escola. Todos aqueles que desejarem integrar a banda da Escola para as festividades da Semana da Pátria devem comparecer aqui mesmo no saguão da nossa Escola no horário das 19:30 horas. Certo pessoal? Muito obrigado pela atenção. Continuem a aproveitar o “recreio”…
Este foi o anúncio da diretora da Escola. Foi uma satisfação geral. Foi um comentário geral!
- Eu vou tocar pífaro. O som do pífaro é espetacular!
- Eu vou me inscrever no grupo de tarol.
- Eu também… Os instrumentos de sopro são muito difíceis.
- Eu vou aprender com o mestre Ramiro a tocar clarim. No ano passado eu já toquei e me saí bem. Quero tocar melhor este ano… As bandas das outras escolas são magníficas.
- A nossa também…
- Vamos escolher o João Vicente para ser o Mor? O que vocês acham da idéia? Ele entende muito do assunto…
Estes eram os comentários alegres e faceiros junto aos diversos estabelecimentos de ensino com a proximidade dos festejos de setembro – o mês do Brasil. Alegria geral. Alegria de poder desfilar. Alegria de poder integrar a banda marcial da Escola e representá-la nos desfiles da juventude alusivos da Semana do Brasil – a Semana da Pátria.
Os ensaios transcorriam com muito sorriso e muita responsabilidade.
- Acho que estamos bem!
- Ainda não, comenta o mestre Ramiro. Precisamos ainda de muitos ensaios.
Enfim chega o grande dia. Todos garbosos se dirigem à Avenida Farrapos, a avenida dos desfiles. Um público enorme. Os familiares nas primeiras filas após o cordão de isolamento estão orgulhosos dos filhos. Estão ali representando a Escola nas comemorações da Independência do Brasil. Muitos colégios já passaram pelo local. Todos muito aplaudidos: Rosário, Julio de Castilhos, Parobé, Dores, São João e também bandas de escolas do Interior do Estado. Uma festa…
- E agora nós. E lá vamos nós…
- Todos em atenção ao Mor. Certo?
- Sim, respondemos em coro.
E lá fomos nós iniciar o desfile. Com nossas músicas e alegorias. Alegria geral dos espectadores. Aplausos e mais aplausos. Estávamos nervosos e satisfeitos. Sabíamos da responsabilidade do ato e também da importância do fato… Nosso desempenho foi impecável. Um misto de alegria com o dever cumprido e o sucesso da nossa Escola junto a todas as outras…
Porque a lembrança?
É a lembrança de outros tempos. De “outras” Semanas da “minha” Pátria.
Foram outros tempos.
Tempos mais nacionalistas. Outros setembro. Tempos que se pensava mais e muito mais na “mãe” Pátria.
Porque mudamos? Porque não utilizamos mais os símbolos pátrios e não só quando das vitórias no esporte? Que também é importante…
Porque?
Devemos voltar aos desfiles de estudantes alusivos à Semana da Pátria com a alegria e euforia de outrora. A juventude de hoje não está sentindo o valor do sete de setembro de 1822, a Independência do “nosso” Brasil.
- Gente! Hoje todos no ensaio da “nossa” banda. São os desfiles de Setembro que estão chegando.
- Que legal! Está chegando a hora! A hora de representarmos a nossa Escola. A hora de homenagearmos o nosso “País”. A hora de acendermos o fogo simbólico. Não o de Atenas. Semelhante ao das Olimpíadas. O fogo simbólico da Semana da “nossa” Pátria.
- Da “minha” Pátria.
Autor: David Iasnogrodski – engenheiro, administrador, escritor
E-mail do autor: david.ez@terra.com.br
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