Muita gente já deve ter notado que, além do português, o idioma que mais se ouve no Brasil, principalmente nas férias de verão, é o castelhano. Isto é, aquele falado por latino-americanos de diferentes nacionalidades. O motivo é simples. Há uma tendência de as pessoas preferirem visitar países próximos daquele em que vivem, conforme indica uma pesquisa feita pela Organização Mundial do Turismo (OMT). Assim, não é de surpreender que dos quase 2 milhões de turistas que o Brasil recebeu em 1994, pelo menos 570 mil eram argentinos e 650 mil de outros países da América Latina. Os demais vieram de regiões mais distantes.
Em 2000, o número mais que dobrou. Visitaram nosso país, 5,3 milhões de estrangeiros. Mas a tendência da proximidade permaneceu, uma vez que 63% desse total eram praticamente nossos vizinhos de fronteira. Consciente dessa realidade, a Embratur montou um escritório com a finalidade de desfechar estratégias de ação na América do Sul, onde pretende captar pelo menos a metade dos nove milhões de turista estrangeiros que projeta trazer para o Brasil em 2007. Não se tem conhecimento do motivo pelo qual a maioria dos turistas prefere circular por regiões não muito diferentes daquelas em que vivem. Mas a lógica parece indicar que isso tem a ver com o idioma, que facilita a comunicação e evita que as pessoas se sintam “meio perdidas”, numa terra de língua totalmente estranha.
Isso significa que o Brasil deveria concentrar apenas nos cerca de 30 países da América Latina os investimentos em campanhas destinadas a atrair turistas, deixando de lado outros mercados? Claro que não. Pelo simples motivo de que turismo é como qualquer produto. Ou se conquistam novos mercados potencialmente promissores, sem descuidar dos já conquistados, ou eles serão perdidos para a concorrência. Na China, por exemplo, existe a perspectiva de que 100 milhões de pessoas farão turismo no mundo nos próximos dez anos. Uma parte poderá vir para o Brasil, se nosso país fizer uma eficiente campanha para atrai-los.
A Câmara de Turismo sempre defendeu estratégias capazes de atrair para o Brasil, em geral, e o RS, em particular, turistas de países próximos. A pesquisa da OMT confirma que essa é de fato a política correta.
Autor: Wilson Müller – Presidente da Câmara de Turismo do RS.
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