A Expointer 2004 é uma das mais tradicionais feiras do Brasil. Por ser muito diversificada, apresentou um excelente panorama do agronegócio brasileiro. A agricultura familiar se constitui em um dos diferenciais desta feira. Mais de 160 bancas vendiam os mais variados produtos, como mel, queijos, salames, vinhos, artesanatos produzidos por pequenos agricultores. A diversificação foi a regra deste setor, sendo a valorização dos produtos feita de maneira subjetiva. Já nos pavilhões destinados às indústrias de equipamentos agrícolas, notava-se uma utilização sem precedentes da alta tecnologia. Pela qualidade, porte e a utilização de eletrônica embarcada nas máquinas, dava a impressão que se estava em uma feira de equipamentos voltados para indústrias de alta tecnologia. Havia empresas que vendiam sistemas de localização de posição por satélite para demarcação de toda a propriedade, com precisão de até 20 cm, outras tratores com rodado duplo, colheitadeiras, plantadeiras cada vez maiores, conectadas a satélites para medir com precisão as variações de produtividade na propriedade visando diminuir custos (agricultura de precisão). Como estas tecnologias propiciam maiores ganhos para que tem grande escala de produção, podemos antever a médio prazo dificuldades para os gaúchos concorrerem com agricultores do Centro-Oeste e das novas fronteira agrícolas. Pois, além de termos propriedades com pequenas e médias extensões, o nosso clima alterna anos de seca com anos de excesso de chuvas, o que torna mais difícil e cara tecnologia para superar estas tendências climáticas. Para poder competir na área agrícola, as opções são: aumento das áreas das propriedades gaúchas, pela compra dos pequenos produtores que irão se tornar economicamente inviáveis; utilização de técnicas avançadas de gestão em toda a cadeia produtiva; seguir o exemplo de regiões italianas, em que o produtores rurais diversificaram a produção, aumentaram a qualidade dos seus produtos, criaram canais de distribuição (incluindo as exportações) como forma de contornar o problema da competição pelo preço (mercado de commodities), sendo rentáveis em pequenas e médias áreas. Este modelo está sendo aplicado na região de Pato Branco-PR. Vale a pena conferir.
Autor: Ricardo Mombelli – Presidente da Copersaúde de Tapera/RS
E-mail do Autor: ricardo.mombelli@gup.com.br
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