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O conservadorismo do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (Bacen) elevou, em outubro, a taxa básica de juros do País de 16,25% ao ano para 16,75%, surpreendendo o mercado. Ao saber da decisão, o presidente Luiz Inácio da Silva classificou a medida de “desnecessária e conservadora”, e teria demonstrado frustração e certa irritação. Pois hoje, o Copom deve decidir sobre a alta, consenso geral, ou a manutenção da Selic, na reunião de novembro. Integram o Copom, com direito a voto, os nove membros da Diretoria Colegiada do Banco Central. O Conselho serve para acompanhar e administrar a política monetária, conforme o sistema de metas da inflação, adotado em 1999. O Banco Central tem de garantir o objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O juro alto desestimula o consumo, principalmente de bens mais caros, como automóveis, imóveis, os que são adquiridos com financiamento. Analistas explicam que esse reajuste terá implicação imediata nas linhas de crédito e que quem quiser ter um Natal e um Ano Novo mais barato deve evitar as compras a prazo. O efeito também é psicológico, uma vez que muitos compradores desistirão do crediário por sentirem um risco de perder o emprego, piorando, assim, o volume de vendas e da atividade econômica. Para o mercado produtivo, essa ação, definida como conservadora, poderá interferir nos investimentos dos empresários para o próximo ano. A Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio) disse que o Copom está comprometendo o Natal, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou ser questionável “manter juros elevados em um mercado distante de qualquer risco de inflação de demanda”.
Para alguns economistas, a renda, que caiu em 2003, ainda não se recuperou, e a medida adotada, com novo reajuste hoje, irá esfriar a economia como um todo. Para vários analistas, a decisão de ampliar o arrocho foi precipitada, sendo que a justificativa em relação ao aumento do petróleo não convence, dado o posicionamento sereno da Petrobrás. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou nota lamentando a decisão, dizendo que a alta dos juros é danosa à produção e ao investimento, que não há pressões generalizadas de preços que justifiquem a intenção de desaquecer a economia e que os índices de inflação recém divulgados já mostram fortes sinais de recuo das taxas. A Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também criticaram a decisão, dizendo que as rédeas do Brasil escapam, mais uma vez, das mãos do governo. Tudo isso poderá ser reprisado, amanhã, após a decisão do Copom, com a alta da Selic dada como certa.


Autor: Cesar Gargioni Nery – Economista 
E-mail do Autor: 
nery@fee.tche.br 


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