É mais fácil do que parece. Praticamente toda a antiguidade construiu utilizando critérios de sustentabilidade. O desequilíbrio ecológico começou a existir na medida em que as populações ficaram tão densas que precisaram de mais materiais, maior velocidade e, portanto, tecnologias muitas vezes não adequadas ao ambiente a que se destinavam. Prova disto é que na Finlândia, por exemplo, até hoje é mantido um perfeito equilíbrio ambiental. Uma população de tamanho contido, orgulhosa de seu desenvolvimento e de sua tecnologia até hoje utiliza recursos regionais para suas construções. Mas, isto é uma exceção. Na maior parte do mundo, perdeu-se o sentido de sustentabilidade. Com a maior conscientização da importância do meio ambiente estamos resgatando alguns dos conceitos de sustentabilidade e descobrindo outros. O que está faltando é criarmos um critério para tabular todo um rol de atividades, materiais, tecnologias etc., algumas das quais já utilizamos, mas ainda não podem ser mensuradas. Nos Estados Unidos foram criadas notas para cada atividade ou material. Escavações, fundações paredes, instalações e tudo que se refere à construção civil é analisado e recebe uma pontuação conforme sua origem ou técnica de aplicação. Um exemplo simples são os tijolos. Se forem queimados com resíduos de madeira, serão mais valorizados do que aqueles que utilizam óleo ou eletricidade para sua produção.
A partir desta idéia, tudo na produção de uma obra pode ser avaliado sob o ponto de vista preservacionista. Se este conhecimento for divulgado, todos poderão entender a qualificação da obra. Um comprador saberá que está adquirindo uma casa com boas características ambientais. Proponho que aqui no Brasil também se comece um movimento deste tipo. Cada vez mais clientes me pedem obras com padrões que estejam dentro dos critérios de sustentabilidade. Há muito tempo já fazemos esgotos tratados, utilizamos economizadores de energia, empregamos madeiras de reflorestamento ou certificadas, mas não consigo mensurar estas ações. Noto, entretanto, que tudo o que precisamos para incrementar esta idéia de sustentabilidade está ao nosso alcance. Basta criar um processo de tabulação. Proponho que comecemos agora.
Autor: Alberto Cabral – Arquiteto
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