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CEEE volta a ter lucro após 11 anos

A Companhia Estadual de Energia Elétrica teve lucro líquido de R$ 1,5 milhão em 2004. A informação foi apresentada pelo secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, ao governador Germano Rigotto, em seu gabinete, no Palácio Piratini. Desde 1994 e excetuando-se um ano em que houve ingresso extraordinário de recursos decorrentes da privatização parcial, a empresa não apresentava resultado positivo. “Depois de vários anos de desequilíbrio financeiro, o balanço mostra a volta ao equilíbrio”, disse Rigotto. Em 2003, a empresa teve prejuízo de R$ 145,3 milhões, e, em 2002, R$ 171,5 milhões. “Os contratos de gestão nas estatais têm dado um resultado positivo, tanto nos serviços prestados, como em termos financeiros”, afirmou Rigotto ao lembrar que todos os balanços das empresas controladas pelo Estado já apresentados apontaram números positivos em 2004. O Banrisul teve lucro de R$ 303,2 milhões, a Corsan, de R$ 25,5 milhões, a Sulgás, de R$ 22,6 milhões, e a Companhia Riograndense de Mineração (CRM), de R$ 35,14 milhões.

De acordo com o diretor-presidente da CEEE, Antônio Carlos Brites Jaques, o resultado decorreu da revisão no provisionamento para ações trabalhistas. Devido à queda no valor médio de indenizações, parte dos recursos provisionados para este fim não foi utilizada, o que colaborou para o desempenho positivo. “Estamos aperfeiçoando o departamento jurídico da companhia”, disse Brites Jaques, ao explicar a redução no valor. “Os números significam a retomada do equilíbrio econômico financeiro da empresa”, completou. O secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, revela que a média do valor das ações em que a CEEE é condenada caiu de R$ 100 mil para R$ 20 mil. Além disso, como os demais órgãos de governo, a empresa deu ênfase à austeridade e redução de gastos de custeio. O terceiro ponto favorável foi a variação negativa da taxa de câmbio, que regula as compras de energia feitas da Usina de Itaipu Binacional. Divisão
Para Andres, o resultado positivo obtido pela CEEE “é uma sinalização de que a empresa começa a reverter a situação negativa que se encontrou nestes últimos anos”. A receita operacional bruta ficou em R$ 2,2 bilhões. “O importante não é apenas o resultado financeiro, mas também o operacional, já que temos uma direção que está trabalhando fortemente para que as coisas aconteçam corretamente”, ressaltou Andres.

Rigotto também destacou a importância social da companhia, ao levar energia elétrica às comunidades gaúchas. Brites Jaques enfatizou que a empresa segue investindo e adiantou que, no próximo dia 1º, será inaugurada uma linha de transmissão de 230 quilo volts (KV), de Bagé a Pelotas, que teve investimento de R$ 30 milhões, com recursos próprios. “São investimentos que começam a gerar receita para a CEEE”, avaliou o diretor-presidente.

A separação dos setores da CEEE de geração e transmissão do de distribuição voltou a ser explicada por Rigotto. “Não é vontade do governo, é a definição de legislação federal, de que dever haver a separação. No nosso modo de ver, ao invés de ajudar no trabalho de enxugamento, vamos ter algumas dificuldades, mas temos de cumprir a legislação”, explicou.

Segundo o governador, o texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) a ser encaminhada à Assembléia é simples, salientando que se trata de cumprimento da legislação federal e que o caráter público da companhia será mantido. Para o diretor-presidente da CEEE, é provável que alguns custos administrativos tenham elevação com a cisão. Além disso, ele projeta que, nos próximo 15 anos, as perdas sejam de R$ 140 milhões devido ao prejuízo fiscal acumulado, pelo qual a empresa abate do imposto de renda os prejuízos de determinadas áreas. Também participaram do anúncio do diretor financeiro e jurídico, Edson Zart, administrativo, Antonio Maciel, de Geração, Carlos Fernandes, e de distribuição, Luis Antônio Leão.

 

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