Os dados da pesquisa do IBGE, realizada em seis cidades das maiores regiões metropolitanas do Brasil, apresentados na semana que antecedeu o 1º de Maio, demonstrou o crescimento do número de trabalhadores recebendo mensalmente menos de um salário mínimo. A pesquisa mostrou ainda que persiste a discriminação salarial de gênero. O percentual de mulheres das regiões pesquisadas que ganham até um salário mínimo chega a 23,3%, contra 11,7% de homens. Segue a tendência de pesquisas recentes sobre a ocupação das mulheres de baixa renda, que indicam maior concentração de mulheres entre as faixas de remuneração indesejada, nos trabalhos informais e em profissões socialmente menos reconhecidas. A passagem de mais um 1º de maio confirma a necessidade de construção de novas e mais eficientes políticas de inclusão, que tratem das causas da deterioração da remuneração das trabalhadoras e da preservação da exploração da mão-de-obra e por que ela ocorre de forma mais aguda com as mulheres. Os números mostram que as ações inclusivas devem ser diferenciadas conforme os diferentes níveis de exclusão. Assim, as ações em favor da capacitação devem compreender a desigualdade no mundo do trabalho como reflexo das diferenças de acesso aos benefícios sociais e aos avanços originados da tecnologia. Um País que hoje comemora seu crescimento econômico deve priorizar o acesso a alternativas de renda, visando à erradicação das disparidades e da pobreza que atingem a maior parcela dos trabalhadores. O cenário apresentado pela pesquisa do IBGE confirma a necessidade do aprofundamento dos debates acerca da incidência das decisões econômicas sobre a vida dos brasileiros das periferias, das famílias moradoras das áreas isoladas pelo apartheid econômico. São famílias de trabalhadores e trabalhadoras que encontramos nas ruas, trabalhando ou nas filas de emprego, mantendo a esperança de dias melhores.
Autora: Vereadora Clênia Maranhão
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