Diante das modificações econômicas em nosso País, talvez um dos segmentos mais prejudicados seja o comércio de bens e serviços. O comércio de bens teve na sua origem a figura do lendário “mascate” que, além de levar mercadorias, também levava costumes e cultura de um local para outro. Este setor, grande precursor do desenvolvimento e dinamizador da economia de algumas cidades, regiões e até mesmo países, passou, a partir da Revolução Industrial, a resignar-se muitas vezes a um incômodo segundo plano. Quando falamos principalmente do comércio de bens, encontramos uma trajetória árdua de sobrevivência passando por vários ciclos econômicos e na lembrança dos grandes magazines de departamentos até os dias atuais onde está representado, na sua maioria, por micro e pequenos estabelecimentos. O varejo sempre teve como característica uma venda pulverizada, muitas vezes uma postura passiva em termos mercadológicos e uma taxa de lucro líquido geralmente baixa. Este segmento possui uma sensibilidade muito grande, pois em uma ponta encontra a indústria, com a qual normalmente ele não possui na individualidade poder de barganha e, de outro lado, o consumidor final, tão suscetível a alterações que ocorrem no ambiente externo – fatores macroambientais. Sendo este segmento (comércio) o que tem contato direto com o consumidor Final, a restrição monetária (aumento da taxa de juro) e também uma política fiscal de contenção (aumento da tributação) o atingem diretamente, e de forma impiedosa, através da cobrança de seus consumidores, que se sentem injustiçados pelo aumento de preços. Verificamos ainda que o aumento da tributação aumenta o preço dos produtos na indústria, que repassa estes para o comércio que, às vezes, não consegue utilizar-se do mesmo expediente, devido à pressão exercida pelo seu consumidor final. O grande poder da indústria, aliado à justa cobrança dos consumidores, faz com que as margens do comércio de uma forma geral caiam de maneira progressiva, ocasionado um aumento da participação percentual dos gastos fixos (gastos que não possuem relação com receita) em relação a faturamento total das empresas, inviabilizando a operação de muitas organizações, que se vêem diante de uma verdadeira cilada. Este fato leva que os estabelecimentos tenham que vender cada vez mais para diluir estes gastos fixos, o que muitas não ocorre devido às políticas de contenção mencionadas anteriormente.
Autor: Cláudio D´Ávila Filho – Vice-presidente da ADVB, consultor do Sindilojas de Porto Alegre e Caxias do Sul
E-mail: nelsonburd@hotmail.com