Os EUA alertaram o mundo a fase difícil de sua economia. A novidade é o mercado imobiliário. Jornais publicaram uma palavra nova, o subprime, pessoa física com elevado risco de crédito. Perdas econômicas advindas do financiamento de imóveis residenciais. Enfim, trouxeram à baila o custo primário de material e mão-de-obra no preço de uma casa na visão do agente financeiro.
Ao sabor das manchetes, analistas justificaram o subprime como negativa influência à captação de recursos dos grandes bancos, dos papeis do governo e dos fundos de investimento. Bolsas asiáticas e européias aguardam, para novembro próximo, medidas redentoras na esteira das eleições presidenciais.
Num clima perturbador, expuseram o perfil contábil e a origem racional da alta valorização dos imóveis porque entre 1996 a 1998 foi de 87%. Tamanho impacto, mantido pelo crédito imobiliário em oferta aos consumidores com renda pessoal insuficiente de suporte às obrigações mensais futuras. Advém daí o efeito dominó da inadimplência e da falta de lastro patrimonial às garantias dos empréstimos. Crédito facilitado, o cadastro de aprovação dos contratos comportou reduzida formalidade no controle de projeção da riqueza, sinalizando uma cultura sequiosa por lucro. A forma de amealhar riqueza não anda bem na potência número um do globo. Não é de agora. Um signatário da Declaração da Independência deste país, Benjamin Franklin, predicava: “Se queres saber o valor do dinheiro, tente comprá-lo”. E se sabe, outros fatores compõe a crise. Guerras de conotação imperialista, altos índices de consumo elástico e o crescente dispêndio de energia. Estes são os módulos de variação ao ótimo econômico. Afinal, o destrono da moeda dos que confiam em Deus não acontece somente em face do malogro imobiliário. A crise é conseqüência da realidade imediata norte-americana. Carl Barks, o Hans Christian Andersen das histórias em quadrinhos, uma vez desenhou um pato de polainas, pincenê e longas suíças. Nascia o Tio Patinhas, a ética da poupança e uma receita simples, didática: economia, no sentido mais verdadeiro, é a melhor prosperidade.
Por Nei Rafael Filho