Em 2010, no País, o banco financiou R$ 143 bi; cerca de 27% foram destinados a esses grupos
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse em Curitiba, que o banco de fomento tem procurado expandir o financiamento para pequenas empresas, ao mesmo tempo em que busca estimular qualificá-las por meio da inovação. ‘‘É claro que o BNDES continua sendo o banco que apoia os grandes projetos de infraestrutura, apoia e tem que apoiar os grandes projetos das grandes empresas, mas nós não estamos esquecendo, ao contrário dedicamos uma energia enorme para as pequenas’’, acentuou.
Coutinho esteve em Curitiba para proferir uma palestra sobre inovação e investimento como instrumentos da competitividade. Para ele, o atendimento às pequenas empresas é a ‘‘agenda mais desa-fiadora’’. ‘‘Requer um processo de mudança de mentalidade, mudança cultural, autoqualificação começando pelo empresário’’, salientou. No ano passado, o BNDES financiou R$ 143 bilhões. De acordo com Coutinho, cerca de 27% foram destinados a micro e pequenas empresas. No caso do Paraná, dos R$ 11 bilhões desembolsados, R$ 2,7 bilhões foram para esse setor, um volume 108% superior ao que foi financiado em 2009 para as pequenas paranaenses.
O presidente do banco de fomento disse que o aumento tem sido possível graças ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que foi prorrogado até o fim do ano e apoia a comercialização de máquinas e equipamentos com juros competitivos; e ao Cartão BNDES, que apoia a compra de serviços de capacitação tecnológica. Coutinho destacou que a intenção é reduzir ainda mais o custo e ampliar o acesso ao crédito para as pequenas empresas por meio do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que já reúne vários grandes bancos. ‘‘A combinação desses fatores nos indica uma perspectiva favorável para esse processo de mobilização da pequena empresa para investir e inovar’’, disse.
Ao se referir à inovação, o presidente do BNDES ressaltou a necessidade de a iniciativa privada ‘‘se colocar como protagonista’’. Segundo ele, no ano passado os financiamentos em inovação foram de R$ 1,4 bilhão. ‘‘Foi pouco relativamente’’, salientou. ‘‘O que falta é a estruturação consistente de demanda privada de um lado e, de outro, mais compreensão, mais agilidade de nossa parte para atender essa demanda.’’ Ele disse que, para este ano, o desejável é ultrapassar R$ 2 bilhões em financiamento. ‘‘Espero que a gente consiga. Eu não tenho limite’’, afirmou.
Banco respondeu por 21% do crédito em 2010
O diretor de planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz, afirmou que o banco de fomento foi responsável pela concessão de 21% do crédito total registrado no ano passado. Em 2003, a participação do banco oficial havia sido de 24,3%. ”O BNDES está promovendo um processo de crowding in, que é infante, mas que deve avançar de forma substancial nos próximos dois ou três anos”, comentou. Ele fez o comentário em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
Para Ferraz, há uma série de críticas de que o Estado brasileiro faz o processo de exclusão das empresas privadas da produção da economia, o que é conhecido pelo termo em inglês crowding out. Segundo ele, com os financiamentos de longo prazo concedidos pelo BNDES a projetos de maturação de vários anos, ligados tanto à ampliação da Formação Bruta de Capital Fixo, como também para infraestrutura, está aumentando os investimentos acima do avanço do PIB. ”Investimentos maiores que o PIB é tudo o que a gente quer”, comentou.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse recentemente que o aumento dos investimentos de longo prazo é o melhor mecanismo para o País ampliar seu potencial de crescimento e combater a inflação.
Fonte: Folha de Londrin – PR/Agência Estado