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M&M Contabilidade

O lógico caminho da representação


 

            A representação empresarial é antecipada por um rito que inicia com a

liderança, passa pela ética, se conjuga com a informação, reprisa a seriedade e encerra com a determinação de representar um segmento e seguir em frente em nome de muitos nomes anônimos. A tarefa, como se pode imaginar, não é fácil e necessita de entusiasmo e boa percepção.

            Por outro lado, ela também tem seus significados. Vivemos num País onde o exercício da representação traz um sentido especial. Diferente de outras nações, o exercício  livre e autônomo da representação é um fato muito recente na história brasileira. Somos todos – empresários, trabalhadores, e o próprio sistema político – vítimas da tradição patrimonialista na formação social brasileira.

            Herdamos uma nação que se formou à mercê de um Estado poderoso, acostumado a exercer a tutela sobre a atividade econômica, e a controlar o sistema de representação pela via da cooptação e concessão de privilégios daqueles que lhe aplaude, e da exclusão dos setores que exercem uma atividade independente e crítica. É assim que, ao longo de quase toda a história da República, são tratados partidos, sindicatos de trabalhadores e de empresários, e as associações de classe no Brasil.

            O rompimento com essa lógica, com a conquista de mais liberdade e autonomia das instâncias de representação da nossa sociedade, é um processo recente, de duas ou três décadas. Nossas entidades, portanto, fazem parte deste processo, e, pela sua importância, é nosso dever continuar a escrever essa história.

            Uma das diretrizes mais importantes da representação empresarial é eliminar, pacientemente e gradativamente os resquícios de terceirização na representação da opinião política e dos interesses econômicos do nosso setor, e exercê-la do modo mais direto possível.

            Comumente os empresários são chamados a financiar a democracia, e isso é necessário. O grande problema é que os agentes econômicos são lembrados somente nessa hora, e logo depois encontram espaços exíguos e dificuldades para serem ouvidos no processo decisório governamental. As dificuldades para o avanço de algumas reformas fundamentais para o setor produtivo, como as reformas tributária e trabalhista, e a persistência, governo após governo, de manter altos impostos, são alguns exemplos que ilustram nossa dificuldade em sermos ouvidos.

            Nosso dever é reverter esta lógica estimulando o desenvolvimento de lideranças autênticas, exigindo compromissos mais claros e definidos de nossos aliados no sistema político, e principalmente não abrindo mão, seja no Congresso Nacional, seja junto ao Executivo Federal, de uma intervenção direta, lutando para sermos ouvidos sempre que estiver em jogo questões vitais para o nosso setor ou para o nosso País. Esta é uma das mais importantes tarefas da representação empresarial.

            Para aumentar nossa capacidade de representação, apostamos em fortalecer o espírito associativo. O associativismo foi o caminho que escolhemos, e que nos fortaleceu ao longo da nossa história. As federações e associações regidas sob este sistema se associam voluntariamente. Disponibilizam uma parte mensal de sua receita para colaborar com a sustentação das entidades.

            E é com base nessa disposição e consciência – de que juntos somos fortes, – que vamos continuar avançando. Porque é esse caráter associativista das entidades que garante a nossa independência, que dá lastro para que não tenhamos nenhum tipo de constrangimento para defender os nossos princípios, quando eles estão em jogo. Temos liberdade para elogiar, ou para criticar qualquer governo, e o fazemos sempre orientados por valores que visem o bem comum dos brasileiros. E é a prática do associativismo, por fim, que nos mantém tão conectados com os anseios do empresariado e da sociedade brasileira. Os empresários falam a mesma língua,  de norte a sul do País.

            Para completar a importância da representação não podemos deixar de lembrar que existem alguns princípios bastante claros, que norteiam a ação política: defender a livre iniciativa, e mais do que isso, o estímulo à cultura do empreendedorismo e o combate à cultura paternalista e protecionista, se constituem no caminho que leva ao desenvolvimento, e consequentemente, a geração de empregos e de renda e ao aumento da base de arrecadação fiscal da União.

            Nosso dever é lutar para que o Estado coloque sua burocracia e suas estruturas a serviço da sociedade, e não servir-se da sociedade para alimentar os privilégios de sua burocracia. Importante enfatizar que a sociedade tem direito de exigir dos seus governantes mais eficiência na prestação de serviços públicos. Essa eficiência se chama gestão e deve passar pela modernização operacional do Estado, que pode sim ser governado com melhores resultados, com maior racionalidade técnica, sistemas de metas definidos, planos de qualidade, e menos clientelismo político.


 


 

Por José Paulo Dornelles Cairoli

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