Foi publicada na imprensa, há dias, a informação de que a Comissão de Estudos sobre Políticas Públicas de Combate às Drogas, da Câmara dos Deputados, vai propor o fim da propaganda de bebida alcoólica na TV. Trata-se, afirmo com segurança, de um avanço no combate ao uso imoderado de bebidas alcoólicas, que tanto dano traz às pessoas e, em consequência, às famílias brasileiras. Vai haver muita contrariedade e reação, do mesmo modo que aconteceu quando foi proibida a propaganda do cigarro. Espero que o resultado seja parecido, pois, desde então, mais de 30 milhões de brasileiros deixaram o tabaco. Antes, os fumantes representavam 32% da população e hoje são apenas 17%. Ora, se não é possível acabar com o consumo descontrolado, evite-se o estímulo ao consumo. A verdade é que a propaganda para incentivar o uso de uma droga como o álcool é totalmente errada. É inconcebível que se faça propaganda de bebida alcóolica em competições esportivas, inclusive com a participação de atletas e técnicos. Pois a situação de consumo abusivo do álcool, no Brasil, já é altamente preocupante. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre álcool, divulgado em fevereiro deste ano, mostra que o Brasil está entre os países com maior aumento do uso excessivo de bebida alcoólica. Talvez muitos não saibam, mas o álcool mata mais que epidemias, AIDS, tuberculose, violência e guerras, sendo responsável por 5% de todas as mortes no mundo. De acordo com o relatório da OMS, a média mundial de consumo de álcool, em 2003, foi de 6,13 l de álcool per capita, em 2003, enquanto no Brasil 32,4% dos homens e 10,1% das mulheres abusaram da bebida alcoólica. Nos dois sexos, a faixa etária analisada é a partir de 15 anos. De acordo com o documento, o consumo de álcool no Brasil foi de 6,2 l por pessoa, em 2005, sendo a cerveja a bebida mais consumida pelos brasileiros, seguida por destilados e vinhos. No ano passado, uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que aumentou de 16,2% para 18,9% o percentual de brasileiros que declararam ter abusado do álcool, entre 2006 e 2009. A tendência, então, é de aumento de consumo. Infelizmente, hoje, no Brasil, já são 16 milhões de pessoas dependentes do álcool. E mais de 1.000 brasileiros morrem, por ano, vítimas de acidentes causados por excesso de álcool, sendo que cerca de 10% de todos os acidentes com vítimas resultam de dirigir com excesso de álcool no sangue. A Lei pode ajudar a reduzir esses resultados. Mas cabe especialmente às famílias o dever de um trabalho preventivo, pela educação e pelo exemplo, evitando o consumo de álcool, para não ter, mais tarde, de chorar por suas perdas.
Por João Carlos Nedel