“Educa
a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará
dele.”
(Provérbios
22:6)
A primeira vez que
me coloquei a refletir sobre o tema foi durante as chamadas “festas juninas”. A
escola organizou, como de costume, uma cerimônia daquelas, com direito a
barracas, jogos, comes e bebes.
A comemoração, originária da tradição pagã de celebrar o solstício de verão,
deve ter chegado às escolas com intuito de confraternização. Depois é que
descobriram que o evento poderia funcionar também como um grande reforço do
caixa. Alunos criam toda a decoração, pais oferecem as prendas e ambos trabalham
na organização, enquanto convidados compram convites e pagam pelos dotes.
O ponto alto de uma quermesse atende pelo nome de quadrilha. Bons tempos em que
isso representava alegria e pureza… Creio que logo virá de Brasília uma
Medida Provisória exigindo exclusividade no uso do termo!
Mas o fato é que por trás da dança folclórica há toda uma simbologia. A
evolução ritmada praticada pelos casais. As coreografias desfiladas com
entusiasmo. O cavalheirismo dos jovens a servir as damas, tirando-lhes o chapéu,
conduzindo-as com altivez. O respeito ao mestre “marcador” que dita as
figurações enquanto todos as seguem. A indumentária campesina, a refletir o
caráter popular do ensejo.
E a harmonia dos
participantes em torno do casamento fictício encenado.
Na semana que antecedeu ao arraial, a escola comunicou aos pais o horário dos
festejos. Os pequeninos da primeira série do fundamental iniciariam a dança,
seguidos sucessivamente pelos colegas dos anos posteriores.
Como bom pai coruja, levantei-me cedo, pois era grande a distância a ser
vencida entre minha casa e a escola. Na hora prevista, lá estava eu, a postos,
sentado na arquibancada, máquina fotográfica em punho, aguardando para
registrar o desempenho de meus filhos.
Foram duas intermináveis horas de atraso, numa manhã fria de sábado, enquanto
crianças perdiam o ânimo, e os pais, a paciência. Então notei com tristeza que
aquela não era uma ocorrência pontual, mas um comportamento repetitivo. Uma
situação que se reprisa a cada aula com um ou dois minutos a mais num dia, três
ou quatro minutos a menos em outro; a cada prazo estendido para a entrega de um
trabalho; a cada reunião de pais e mestres que carece de pontualidade.
Diante desta indisciplina, deste desrespeito ao uso do próprio tempo, bem como
do tempo alheio, nossos jovens são orientados. É por isso que depois vemos
vestibulandos desclassificados de concursos por chegarem ao local de prova com
portões fechados. Encontramos advogados que perdem prazos para defesa ou
contestação, vendedores atrasados para importantes reuniões pré-agendadas,
filas de espera em clínicas médicas para consultas com hora marcada.
Educar não se resume a prover alunos apenas de competências técnicas, aquelas
vinculadas à inteligência intelectual, embora seja isso que façamos
convencionalmente e nunca por inteiro.
Educar passa também pelo desenvolvimento de competências comportamentais,
aquelas atreladas à inteligência emocional, o que envolve relacionamentos e
interação com o ambiente.
Mas educar demanda, ainda, instruir os jovens na prática de competências
valorativas, tendo o respeito e a integridade como primordiais, numa lição que
se ensina de uma única maneira: através do exemplo.
Por Tom Coelho.