“Se 60% der certo, é uma diferença enorme em
relação ao que se fazia antes neste país. Isso nunca foi feito antes.”
(Dilma
Rousseff)
Lewis Hamilton, o
novo fenômeno da Fórmula 1, tem alcançado êxito e incrível regularidade nas
corridas, mesmo sendo sua primeira vez em alguns circuitos. Uma explicação
plausível é que ele tem estudado as pistas em um simulador que reproduz com
fidelidade o traçado que enfrentará numa prova real.
Com a crise aérea no foco dos noticiários, pudemos observar que pilotos de
avião também utilizam simulares de vôo em seus treinamentos.
Existe um jogo de computador lançado anos atrás chamado “Sim City”. Seu objetivo
é a construção de cidades, mas bem poderia ser qualificado como um simulador de
gestão pública.
O jogador assume o papel de prefeito da cidade virtual. Começa loteando as
terras em áreas residenciais, comerciais e industriais. Depois parte para a infraestrutura
de água, luz e saneamento. Constrói escolas, hospitais, delegacias de polícia,
corpo de bombeiros, faculdades, bibliotecas, parques. Edifica ruas, viadutos,
corredores de ônibus e metrô.
Para sustentar tantas obras, a partida dá-se com uma verba módica, uma espécie
de capital inicial que poderíamos chamar de orçamento pré-aprovado. O prefeito
determina imediatamente as alíquotas dos impostos, com liberdade para
alterá-las a qualquer instante. Também pode editar algumas leis, versão digital
das medidas provisórias, que podem gerar receitas ou despesas. Acordos com
vizinhos, como importar ou exportar água ou lixo, igualmente afetam as
finanças. Por fim, há a possibilidade de buscar empréstimos com taxas de juros
tipicamente salgadas e prazos não muito longos para quitação.
Na medida em que as benfeitorias são feitas, a população cresce, e com ela, as
demandas e os problemas sociais. Uma nova usina de geração de energia é
exigida. A criminalidade aumenta e um presídio precisa ser instalado. O trânsito
fica caótico, pedindo autoestradas e um aeroporto.
Neste dinamismo todo, cabe ao jogador, digo, ao prefeito, enfrentar os
problemas e tomar decisões com base nas informações e solicitações de seu
secretariado, considerando as necessidades da população e suas disponibilidades
de caixa. Assim, você pode elevar drasticamente os impostos. Mas no médio prazo
as pessoas abandonarão sua cidade, reduzindo sua receita. Pode também reduzir
os investimentos em infraestrutura ou mesmo cortar salários do funcionalismo,
gerando ondas de greves e, por conseguinte, desagradando aos cidadãos.
Recentemente a ministra Dilma Rousseff declarou, por ocasião do balanço das
obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que cumprir 60% do
programado já estaria bom demais. Coloquei-me a imaginar o que seria de uma
empresa onde apenas 60% das metas fossem cumpridas. Permaneceriam os executivos
no cargo? Os acionistas ficariam satisfeitos com seus dividendos, se é que
haveria lucro para ser distribuído? E se os correios entregassem somente 60%
das correspondências no prazo previsto e nos endereços indicados? Que tal
apenas 60% dos voos previstos decolando? Ops, isso já acontece há tempos…
Seria bom se nossos gestores públicos jogassem um pouquinho de “Sim City”. Poderia
ser nos finais de semana ou nas reuniões no Planalto – não vejo muita
diferença. Só tem um detalhe no jogo ainda não revelado. Quando o caixa
estoura, uma mensagem equivalente a uma moção pública informa: Você está
demitido!
Por Tom Coelho.