Responsabilidade
social é um dos imperativos do mundo corporativo moderno.
Para algumas
organizações isso se resume meramente a práticas de cunho assistencialista. A
distribuição de ovos de páscoa em abril, uma campanha do agasalho organizada
durante o inverno, brinquedos distribuídos no dia das crianças e cestas básicas
ofertadas no Natal funcionam como pequenas indulgências ao empresariado. A
sensação de legar uma contribuição à comunidade consegue amainar o espírito e
promover o bem, ainda que de forma pontual.
Outras empresas são eficientes em praticar marketing social. O importante não
são as realizações, mas a repercussão midiática das ações tidas como sociais.
Assim, investe-se mais em material publicitário e assessoria de imprensa do que
nas pessoas beneficiadas, com foco precípuo na imagem institucional. Agindo
assim, correm elevado risco, haja vista que a sociedade, apoiada pelas redes
sociais, está atenta para denunciar publicamente um comportamento antiético.
Contudo, a autêntica responsabilidade social é exercida por companhias com visão
de futuro, capazes de iniciativas de longo prazo, auto-sustentáveis e passíveis
de serem replicadas, transformando positivamente a realidade dos envolvidos.
Dentro deste contexto, ações de caráter sócio educativo estão entre as mais dignas
de serem desenvolvidas. O primeiro passo é a capacitação dos próprios funcionários,
desenvolvendo competências que conduzam ao aprimoramento profissional, com
consequente aumento da produtividade e elevação da auto estima. É a iniciativa
privada mais uma vez suprindo as deficiências do Estado.
O chamado
“apagão da mão de obra” é uma triste realidade evidenciada estatisticamente.
Segundo o Sistema Nacional de Emprego (SINE), braço do Ministério do Trabalho e
Emprego responsável pela intermediação de mão de obra e apoio ao programa de
geração de emprego e renda, mais de 60% das vagas ofertadas em 2009 não foram
preenchidas porque os candidatos não atendiam os pré-requisitos mínimos
exigidos pelas organizações.
Construtoras brasileiras, em um momento de pujança do setor imobiliário, estão
sendo obrigadas a importar engenheiros, em especial de outros países latinos,
porque o número de profissionais formados anualmente em nosso país (32 mil, em
2008), atende a menos da metade da demanda de mercado.
O segundo passo consiste em transpor o processo educacional para além dos muros
da corporação, alcançando os familiares. Um bom exemplo é a educação financeira.
O papel de uma empresa não é facilitar o acesso ao crédito consignado, mas
ensinar seus funcionários a lidar com o dinheiro. E o êxito desta tarefa
depende eminentemente da participação do cônjuge.
Por fim, deve-se
envolver a comunidade. O objetivo deve ser a integração do público com o
privado. A promoção de manifestações artísticas e culturais, a conscientização
da cidadania e o desenvolvimento de um senso de pertencimento e propriedade
possibilitam a construção de uma sociedade mais equilibrada, com menos
conflitos e maiores oportunidades. De quebra, as empresas investem na formação
de um promissor mercado consumidor para seus produtos e serviços.
Associado a estes
aspectos temos outros fatores fundamentais, com destaque para a adoção de
políticas de estímulo à diversidade e a inclusão de pessoas com deficiência, as
quais não são uma minoria silenciosa, posto que representam cerca de 15% da
população brasileira.
Por Tom Coelho.