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M&M Contabilidade

Brasileiro espera viver 23 anos aposentado, mas poupa só para 12


Estudo mostra que 19% das pessoas não fazem nenhuma preparação para sua aposentadoria e 41% consideram que fazem de forma inadequada

Pelas expectativas dos brasileiros sobre a própria aposentadoria, eles passariam em média 11 anos sem recursos suficientes para ter uma vida confortável. É o que aponta um estudo do HSBC, em que as pessoas responderam que esperam viver 23 anos depois de se aposentarem, mas poupam o suficiente para que as economias durem apenas 12 anos depois de encerrado o período de trabalho. “Há um intervalo a partir do qual a pessoa fica com receio: espera que ainda esteja viva, mas não tem segurança de que seu dinheiro vai durar nesta segunda fase. É um alerta muito interessante”, comenta o superintendente-executivo de Gestão de Patrimônio do HSBC Bank Brasil, Gilberto Poso.

Aqui, o resultado é pior do que a média mundial, na qual os entrevistados esperam viver 18 anos depois de se aposentarem, mas suas economias devem durar dez anos. “Enquanto aqui o intervalo é de 11 anos, no resto do mundo o buraco é menor, com um intervalo de oito anos. Se elas gastarem o que pretendem, não vão ter dinheiro para viver até o fim da vida”, afirmou Poso.

O estudo O Futuro da Aposentadoria: Uma nova realidade é o oitavo de uma série elaborada pelo HSBC e representa a visão de mais de 15 mil pessoas consultadas em Hong Kong, Austrália, Brasil, Canadá, China, Egito, França, Índia, Malásia, México, Cingapura, Taiwan, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos. Foram ouvidas pessoas de 25 anos ou mais, durante os meses de julho e agosto de 2012. No Brasil, foram mais de mil entrevistados.

Os brasileiros ouvidos para a pesquisa acreditam que 31% dos rendimentos de sua aposentadoria virão do Estado. O dado também é superior ao resultado global, segundo o qual as pessoas esperam que 24% da renda sejam provenientes de benefícios sociais. “Isso é preocupante porque, à medida que tivermos no Brasil uma mudança demográfica, a previdência oficial vai claramente ter mais dificuldades. Teremos menos gente na ativa e mais pessoas usufruindo por mais tempo”, alertou Poso.

Para 37% dos brasileiros, a contribuição do Estado será uma fonte importante de renda na aposentadoria. A alta expectativa com relação à previdência é preocupante também pelo fato de que os brasileiros esperam que a aposentadoria – seja proveniente de poupança pessoal, seja de benefícios sociais – substitua aproximadamente 70% do rendimento que têm em seu trabalho.

“Por outro lado, o que é interessante e positivo é que essa parcela de 31% dos que pensam que os rendimentos virão do Estado é puxada pelas pessoas mais velhas, acima de 45 anos. Aqueles que estão entrando no mercado de trabalho já têm uma perspectiva diferente em relação à previdência social”, disse Poso.

Atualmente, 19% dos brasileiros não fazem nenhuma preparação para sua aposentadoria e 41% consideram que fazem de forma inadequada. Os brasileiros creditam ao alto custo de vida o fato de não pouparem especificamente para a aposentadoria. Para 42%, todo o dinheiro é gasto no custo de vida diário. “Temos uma parcela significativa de brasileiros que não são poupadores regulares e muitas pessoas que reconhecem que não estão bem preparadas”, comenta.

Entre as diferenças culturais que podem ser analisadas pelo estudo O Futuro da Aposentadoria: Uma nova realidade, uma é a importância que a população dá para a poupança de curto ou longo prazo. No Brasil, a tendência é de poupar para o curto prazo – ou seja, economizar para as férias, por exemplo. Se tivessem de optar entre uma poupança para férias ou para aposentadoria, apenas 43% escolheriam a segunda opção. A média global é de 50%.

“Nós não somos os únicos cuja maioria opta pelo curto prazo se deparada com a necessidade de escolha, mas estamos entre os países que têm maior propensão a isso. Na Ásia, por exemplo, existe uma clara propensão para poupar para o longo prazo”, explicou Poso. Na Malásia, 59% das pessoas preferiria juntar dinheiro para uma viagem a economizar para o momento de se aposentar.

Além da tendência de economia apenas a curto prazo, os eventos inesperados também podem atrapalhar a capacidade de poupar. Para Poso, “isso tem a ver com as trocas, as escolhas feitas”. A crise econômica internacional e a desaceleração da economia brasileira no último ano, contudo, parecem não ter assustado os brasileiros. Questionados sobre qual evento impactou mais a capacidade de poupar, a “crise econômica atual” aparece apenas em sétimo lugar – 18% das pessoas disseram que este foi um dos eventos mais relevantes para diminuir sua capacidade de economizar para a aposentadoria.

Fonte: Jornal do Comércio – 11/03/2013 – Página 03

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