A democratização da inovação tem resultado em ganho de produtividade de pequenos empreendedores através da IA
A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma tecnologia restrita às grandes empresas e passou a integrar a rotina de milhões de pequenos empreendedores brasileiros. Ferramentas voltadas à automação de atendimentos, criação de campanhas de marketing, produção de conteúdo para redes sociais e organização de processos operacionais têm contribuído para aumentar a produtividade e a competitividade dos pequenos negócios.
Segundo um levantamento do Sebrae realizado em 2025, 44% dos empreendedores de micro e pequenas empresas já utilizaram algum tipo de inteligência artificial em suas operações. Quando são consideradas plataformas como ChatGPT, Gemini, Copilot e DeepSeek, esse percentual sobe para 51%.
O marketing lidera a adoção da tecnologia. A pesquisa aponta que 74% dos microempreendedores individuais (MEIs) e 59% das micro e pequenas empresas utilizam ferramentas de IA para ações de divulgação e relacionamento com clientes.
Para o especialista em inovação Felipe Matos, fundador da 10K Digital, a democratização dessas tecnologias reduziu a distância entre pequenos e grandes negócios.
“Antes, apenas grandes empresas tinham acesso a essas soluções. Hoje, pequenos empreendedores conseguem utilizar ferramentas acessíveis para aumentar a eficiência e competir em condições mais equilibradas”, afirmou.
De acordo com Matos, o principal benefício está na automatização de tarefas repetitivas, permitindo que o empreendedor dedique mais tempo ao planejamento estratégico, ao relacionamento com clientes e à inovação.
Além do marketing, outro levantamento do Sebrae, realizado em 2026, mostra que os usos mais frequentes da inteligência artificial entre pequenos empresários incluem automação de atendimentos pelo WhatsApp, organização de planilhas, controle financeiro, acompanhamento de resultados e utilização de sistemas de gestão para apoiar atividades operacionais.
Apesar dos avanços, o especialista ressalta que a tecnologia não substitui uma gestão eficiente.
“A inteligência artificial amplia a produtividade, mas decisões estratégicas, conhecimento do mercado e relacionamento com clientes continuam dependendo das pessoas. O diferencial está em saber utilizar essas ferramentas de forma inteligente”, destacou.
Casos práticos
No interior de São Paulo, o microempreendedor Tobias Alm Bueno utiliza um sistema desenvolvido com inteligência artificial para administrar a produção de sua padaria artesanal. A ferramenta calcula automaticamente a quantidade de ingredientes necessária para cada pedido, controla custos, organiza a reposição de insumos e auxilia na definição dos preços dos produtos.
Segundo ele, o sistema também acompanha pedidos, pagamentos e entregas, reduzindo erros e economizando horas de trabalho semanal.
Outro exemplo é o empreendedor Ezequiel Vedana, que desenvolveu um sistema de gestão empresarial baseado em IA para integrar processos como CRM, financeiro, atendimento, automações, WhatsApp e acompanhamento de clientes.
De acordo com Vedana, a centralização das informações tornou a operação mais eficiente e agilizou a tomada de decisões, além de reduzir o tempo necessário para realizar ajustes no sistema.
Especialistas avaliam que a tendência é de crescimento da adoção da inteligência artificial entre micro e pequenas empresas, principalmente pela facilidade de acesso às ferramentas e pelo potencial de aumentar a eficiência operacional e a competitividade dos negócios.
Fonte: Folha de Pernambuco, com edição do texto pela M&M Assessoria Contábil