Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, é crescente o número de pequenas empresas em nossa economia, principalmente na área de serviços. Por isso julgamos de extrema importância que os seus administradores façam como as grandes corporações, ou seja, que acompanhem as tendências do mercado, especialmente na gestão da informação e do conhecimento, pois só assim poderão garantir, além de sua sobrevivência, a sua melhoria e seu crescimento.
Uma das medidas fundamentais em qualquer empresa é ter o seu sistema de informações adequado. Para tanto, faz-se necessário que exista um controle interno confiável, para geração de relatórios e ou informações para sua tomada de decisão. E sabido que um setor que pode suprir e ajudar nesta missão é a contabilidade, seja ela interna ou terceirizada, pois é na contabilidade que estão armazenadas todas as informações operacionais, administrativas e fiscais necessárias para avaliação e planejamento estratégico e tributário de qualquer instituição.
Acreditamos que a não utilização de tal ferramenta é decorrente de nossa cultura, pois se de um lado temos alguns empresários que entendem que o papel do contador é unicamente o controle dos impostos a pagar, de outro lado, temos também alguns profissionais contábeis despreocupados com esta questão.
Conforme citado acima, a predominância de novas empresas no segmento de serviços é, e nem poderia ser diferente, uma tendência mundial. Muitos desses novos empreendimentos têm seu lastro basicamente em conhecimento e domínio de novas tecnologias, algo na linguagem contábil mais conhecido como ativo intangível. Temos nos deparado com novas empresas e com novas atividades, algumas até com certa dificuldade de enquadramento tributário, já que o fisco controla as empresas através de cadastro específico e este disponibiliza um sistema de codificação limitado.
Vamos nos ater a um segmento da área de serviços e que tem crescido bastante nos últimos anos dado a sua importância, mas que seus administradores, em geral, não entendem a contabilidade como uma ferramenta gerencial, mas como uma necessidade de regularidade fiscal. E o caso do segmento de projetos culturais, até mesmo por que normalmente estas empresas têm como objeto a realização de algum evento cultural e para sua realização se valem de recursos de terceiros e que, geralmente, estão vinculados a incentivos fiscais.
Ocorre que o produtor do projeto se preocupa emprestar contas ao Ministério e/ou Secretaria de Cultura de seu estado ou município, mas não se dá conta que todo o recurso recebido para a realização a título de verba incentivada é um bem patrimonial, mesmo que transitório (Ativo Circulante Disponível) e nele deve estar o seu destino contábil (Passivo Circulante – Verba Incentivada), para evitar transitar em resultado sob pena de sofrer tributação como Receita Não-Operacional.
Além do reflexo fisco-tributário, o profissional da contabilidade pode ser um parceiro do produtor desde o início do projeto até o final, tendo em vista que o primeiro passo é montar um orçamento físico-financeiro específico do projeto cultural. Além disso, a empresa produtora pode estar trabalhando em vários projetos ao mesmo tempo, daí a necessidade de se medir qual o resultado esperado no património da empresa, além de como prestar contas para terceiros, senão através de uma contabilidade formalizada e organizada.
Na verdade, o que estamos propondo é a inserção do projeto cultural no projeto empresarial. Contabilmente falando, cada projeto seria um centro de custo da empresa produtora, pois a companhia tem riscos e responsabilidades que fogem ao projeto em si, tais como vínculos trabalhistas e seus reflexos, quebra de contratos, etc. Por derradeiro, alertamos que, em termos de prestação de contas fiscal, previdenciária e trabalhista, existem cerca de 56 itens que as empresas em geral estão obrigadas a elaborar ou informar, sendo que, grande parcela desses itens não se refere a impostos, mas a . obrigações acessorias, como declarações e livros fiscais, aspectos desconhecidos da maioria que de vem ser entregues periodicamente e podem ou não ter, sido fiscalizados durante um certo período. Temos que estar atento também aos tributos em geral, pois no total são 76 entre impostos, taxas e contribuições.
Entre as vantagens de manter uma contabilidade adequada, podemos citar: maior controle financeiro e económico à entidade; comprovação em juízo de fatos cujas provas dependam de perícia contábil; contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia; base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados, entre outros.
Portanto, ante a obviedade das vantagens acima listadas, a contabilidade é uma ferramenta imprescindível á gestão] de qualquer entidade, cabendo ao administrador, sócios ou representantes a implementação da escrituração através dei contadora devidamente habilitado, devendo observar, ainda, a obrigatoriedade pré-vista no Novo Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002), artigo 1179, nestes termos: “O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado.”
Autor: Robertto Onofrio – Contador
Publique seu artigo. Clique aqui e acesse mais informações sobre publicação de artigos…