Atuar no meio corporativo exige atualização e domínio de alguns conceitos
Assim como tribos têm dialetos próprios, grupos profissionais também podem ser identificados pelos termos que utilizam. E o mundo corporativo está recheado dessas expressões.
Os conceitos presentes no dicionário dos gestores podem colocar o ouvinte em uma situação constrangedora ou impedi-lo de entender o que seu interlocutor está dizendo se forem desconhecidos ou assimilados de forma errada. Um problema para quem vive em um cenário de escritórios.
A gama de expressões que inundam reuniões e palestras tem origem em universidades norte-americanas, como a de Harvard e Cambridge, principalmente. Segundo a vice-presidente técnico-científico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/RS), Maria Luísa Pons, distorções no significado dos termos, por parte de quem fala e de quem escuta, ainda são muito comuns:
– Mesmo em expressões como feedback, de uso corrente, há quem não saiba exatamente o que quer dizer e por isso fala, ou entende, de forma errada.
Para quem está ingressando na profissão, como o universitário César Santos, 19 anos, há um mundo de termos desconhecidos a conhecer no “dialeto da administração”:
– Nas aulas, por enquanto, só vi coisas do “economês”. Aula é o lugar para aprender. Quando não entendo, eu pergunto.
Por atuar nos mais diferentes segmentos empresariais, o administrador está entre os profissionais que mais contato têm com diferentes conceitos, diz a professora Edi Fracasso, da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul:
– O gestor precisa saber o “informatiquês”, porque vai lidar com tecnologias de informação, ou a linguagem do setor produtivo, por exemplo, e ainda tem que conhecer “economês”.
Palavras no lugar certo
Com pós-graduação na Universidade Estadual de Nova York (EUA), da qual retornou há cerca de dois anos, o diretor da ThyssenKrupp no Estado, Ruy Lopes Neto, esteve em contato com a fonte de muitas expressões usadas no dia-a-dia dos gestores. E afirma que ainda há muito por vir além do extenso glossário de termos em inglês já utilizados por aqui na área de administração.
A linguagem conceitual é reservada pelo executivo apenas para situações onde seja realmente necessária. Lopes Neto ressalta, no entanto, que em cargos de gerência e alta gerência é importante dominá-la. No comando de 190 pessoas, de diferentes formações e níveis culturais, o engenheiro civil opta pela simplificação:
– Acredito que muitas vezes esses termos só confundem a estratégia que se está tentando adotar e deixam os funcionários sem saber onde se quer chegar. As coisas tem de ser colocadas de forma simples e objetiva.
Excesso de conceitos para descrever uma estratégia cria um mistério sobre a idéia que pode prejudicar o processo, alerta Lopes Neto.
Fonte: Jornal Zero Hora, caderno empregos e oportunidades, de 09/04/06, capa e pg.3.
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