Em 1959 o cineasta russo Anatole Litvak (1902/1974) dirigiu “Crepúsculo Vermelho”. Filme ambientado em Budapeste, narra a revolução Húngara de 1956, episódio dramático reservado à entrada do comunismo naquele país. Estrelado por Yull Brynner (1915/1985) e Deborah Kerr (1921/2007), a trama romântica é a luta da inglesa para tirar do país um conterrâneo. Brynner faz o papel do anti-herói, o militar comunista invasor decidindo os destinos. Surge, dos enleios, uma paixão entre os personagens. A cena estética vivida pelos principais, pontuada pela força do antagonismo e da tensão, foi a do militar desenhando na parede um círculo: “O mundo é maçã destruída e foi dividida ao meio”, sentenciou.
De um lado as democracias livres e vitoriosas do segundo embate mundial e, no extremo oposto à essa maneira de existir na vida política, comunismo em plena expansão.
Alguém já disse, da 3ª Guerra Mundial, o seu começo declarado foi no alinhamento capitalismo versus comunismo. A guerra fria, portanto. Mas a detént, fomentada no curso de décadas, desmentiu a previsão.
O mundo político internacional vive, no atual, a ausência da idéia emblemática renovadora ou até mesmo inédita. É que há uma espera por mudança. O socialismo científico, desacreditado como se situou, guinda ao capitalismo reinante triunfar, embora as crises e percalços do existir das comunidades internacionais.
Não estava previsto, no cálculo da montagem das estratégias políticas contemporâneas, a descoberta e migração do poder democrático às camadas sociais menos favorecidas dos países pobres, malgrado a sina de seus regimes tirânicos, nos diversos credos confessados, pano de fundo para esconder ou proteger interesses. O móvel do acontecer é a comunicação eletrônica, o acesso ao jornal e a dinâmica da notícia em rede. Significará mais adiante a vontade de agir e ver resultados em detrimento do ingênuo protesto nas praças.
Por Nei Rafael Filho