Segundo o estudo “Radiografia do Novo Congresso”, publicado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), nas legislaturas recentes observa-se uma forte diminuição no número de empresários eleitos para a Câmara, ao mesmo tempo em que aumenta o número de sindicalistas. Os empresários eram 204 em 1991 e hoje são 103. A bancada ruralista encolheu 30% e os sindicalistas passaram de 44 representantes em 1999 para 60 membros. A bancada dos professores praticamente dobrou no período, saltando de 24 para 43 integrantes, enquanto o grupo de servidores públicos triplicou de tamanho. No Executivo também ocorre a ascensão de trabalhadores ocupando diversos cargos dentro do governo. Estes fatos deixam a esquerda em situação embaraçosa, pois apesar de ter galgado postos na política e no Executivo, a esquerda não entende os reais motivos que fazem com que o País não resolva os problemas. Particularmente, entendo que os motivos que fazem com que o Brasil não avance têm explicação no fato de que o poder central ser muito forte, basta ver que a União fica com 70% da arrecadação dos impostos. A solução mais simples seria revermos o pacto federativo, com uma consciência dos políticos para este tema de difícil solução, pois do modo como está os estados morrem à míngua com a total falta de recursos para investimentos e pagamento da folha de ativos e inativos. Indo mais a fundo na questão levantada no primeiro parágrafo, também me parece claro que os motivos que emperram o crescimento da Nação estão no corporativismo que compõem o quadro político. Imagino que no tempo em que a “elite” empresarial estava representada em maior peso no Congresso as pautas defendidas eram na tentativa de barrar qualquer abertura econômica ou lutavam para que empresas nacionais pudessem auferir bons contratos com o governo, por exemplo. Hoje, após a abertura de mercado e diversas privatizações, esta “elite” política perdeu o sentido de existir, dando espaço para um grupo que também defende seu lado corporativista. Talvez, por isso, se explique os motivos que fizeram com que a reforma da Previdência fosse tão tímida. Se estiver errado na minha análise, deixo meu e-mail para que algum cientista político me corrija.
Autor: Marcelo do Vale Nunes – Porto Alegre
E-mail: mvn@portoweb.com.br
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