De tempos em tempos as normas ISO, por protocolo da própria Instituição, devem ser revisadas. No ano de 2000 tivemos a versão atualmente em vigor da ISO 9001, cuja versão anterior datava de 1994. No final de 2004 chegou a vez do lançamento de uma nova versão da ISO 14001 – vulgarmente chamada de ISO do meio-ambiente – cuja versão anterior datava de 1996. Esta nova versão assumiu no Brasil a denominação de NBR ISO 14001:2004.
Esta nova versão da ISO 14001 traz várias modificações em seus requisitos, em relação à versão de 1996. Algumas destas modificações podem representar um elevado impacto no Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da organização, enquanto outras representam pouco ou nenhum potencial de impacto. Neste artigo vamos analisar apenas aquelas que, de uma forma geral, representam um maior potencial de impacto, sempre lembrando que este grau de impacto certamente será diferente de uma organização para outra, dependendo de como está estruturado o SGA.
No item 4.1 – Requisitos Gerais, da norma, encontramos uma ênfase muito maior do que anteriormente no aspecto da melhoria contínua. Esta preocupação já havia sido explicitada na ISO 9001:2000 e exorta a organização a preocupar-se mais com o futuro não aceitando os atuais desempenhos, mesmo que atendendo as expectativas e talvez até superando-as, como algo definitivo. É sempre possível melhorar a eficiência e a eficácia dos processos. Esta preocupação em que o foco esteja muito voltado para o futuro aparece também no item 4.3.1, que trata dos Aspectos Ambientais, no item 4.3.3 que trata dos Objetivos, metas e programas (reforçando a necessidade de estabelecer metas mensuráveis) e no item 4.4.1 onde estão os requisitos sobre Estrutura e responsabilidade (onde no tocante a recursos passam a ser incluidos os de infra-estrutura organizacional).
O objetivo da melhoria contínua de um SGA é aumentar a probabilidade de melhorar o desempenho do Sistema e, por conseqüência, melhorar a satisfação das chamadas “partes interessadas” que, tratando-se de gestão ambiental, abrange todo o nosso eco-sistema. Ações recomendadas para se obter melhoria contínua incluem:
- análise e avaliação da situação existente, para identificar área para melhoria;
- estabelecimento dos objetivos para melhoria;
- pesquisa de possíveis soluções para atingir os objetivos;
- avaliação e seleção destas soluções;
- implementação da solução escolhida;
- medição, verificação, análise e avaliação dos resultados da implementação, para determinar se os objetivos foram atendidos;
- formalização das alterações.
Os resultados devem ser analisados criticamente para determinar oportunidades adicionais de melhoria, fazendo com que a melhoria passe a ser uma atividade contínua. Aqui, quando falamos de análise crítica, aparece um outro item da norma com alto potencial de impacto. É o item 4.6 que trata exatamente da Análise Crítica pela Direção.
Outro aspecto que sofreu profunda reformulação nesta nova versão da ISO 14001 diz respeito ao envolvimento de todos os colaboradores da organização. A empresa deve identificar as competências necessárias para cada um de seus colaboradores e quando identificadas carências supri-las através de treinamentos ou outras ações. As competências necessárias deverão estar associadas não apenas aos possíveis impactos significativos do desempenho, mas também aos aspectos ambientais e ao próprio SGA. Esta preocupação deverá ser levada também à conscientização, que não deve ficar restrita aos impactos mas deve abranger também os aspectos ambientais. Estes aspectos estão relacionados nos itens 4.4.2 que trata de Competência, treinamento e conscientização e 4.4.3 que trata da Comunicação. Em relação a esta inclusive, ressalta a necessidade de comunicação não apenas interna mas também aos terceiros.
Estando seu SGA implementado, independente de seu grau de consolidação os passos a seguir para adaptá-lo aos novos requisitos deverão ser:
- treinamento da equipe que conduzirá a adaptação nos novos requisitos da norma;
- revisão crítica do SGA atual quanto ao atendimento dos novos requisitos;
- redação da nova documentação e registros;
- treinamento dos colaboradores;
- implementação da nova versão.
Bom trabalho.
Autor: Luiz Carlos Silveira Jr. – Engenheiro Mecânico pela UFRGS, com especialização em Administração Industrial. Consultor na implementação de ferramentas de incremento da Qualidade e da Produtividade, tendo auxiliado várias empresas na implementação de Sistemas da Qualidade baseados nas Normas Série ISO 9000, ISO 14000, QS 9000 e TS 16949. É Auditor Líder da Qualidade pelo Instituto LORIEN/PE-BATALAS da Inglaterra.
E-mail: advice@cpovo.net
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