Todos confirmaram o horário e suas dignas presenças, 08h00min em ponto!
Eram 08h30mni e só quatro dos 15 haviam
chegado…
Às 09h00min em ponto começou a reunião. Metade não
sabia de que se tratava. Os bochichos começaram para ver se alguém dali de
perto sabia afinal qual era a tal da “pauta” da reunião. Quem sabia,
mandava quem perguntava ficar quieto, pois o “presidente” da reunião
estava “usando da palavra” (o termo mais feito que já ouvi para
designar alguém falando é “usando da palavra”) e ele (arguído) estava
fingindo estar interessadíssimo nas palavras do “senhor presidente da
reunião”.
Como sempre, o “presidente” abriu a
reunião agradecendo a presença de todos os presentes (é outra besteira, pois
não poderia agradecer a presença dos ausentes…) e pediu desculpas pelo atraso
que, segundo ele (presidente), foi devido a “motivos de força maior”
(taí outra coisa que eu nunca entendi, pois todo mundo sabe que o
“presidente” estava mesmo era dormindo até às 08h30min. Segundo sua
própria mulher, ele havia se esquecido da reunião…)
Em seguida passou-se à “leitura da Ata”
da reunião passada, que é a coisa mais chata que existe e, além de tudo, de
plano, mentirosa, pois diz no final “… e que vai pelos presentes
assinada” e na realidade é assinada pelos presentes na reunião seguinte
não na reunião em que aconteceram os fatos supostamente relatados na dita cuja
da “Ata”. O pior é que, como as assinaturas são todas ilegíveis e não
batem com os nomes dos presentes segundo a Ata, a dita não serve nem para
documento de posteridade, pois é tudo meio falso ou meio verdadeiro, como queiram.
Após a leitura da Ata, sempre aprovada sem
ressalvas, a não ser por um chato que tenha muito interesse em alguma coisa e
que pensa que alguém no futuro lerá o que foi escrito, começa a reunião
propriamente dita.
Como ninguém ainda descobriu o assunto da reunião,
nem o “presidente”, ele logo passa a palavra para os presentes. E aí
começa a balbúrdia. Cada um fala de uma coisa que nada tem a ver com o restante
das pessoas. E então o presidente diz: “Bom, isto poderemos tratar depois,
em separado… ” e, como ele fala isto para todos, nada há que ser tratado
na reunião que, ademais, não deveria ter existido, por absoluta falta de
assunto.
O pessoal então, como não sabe direito o que
falar, e como ficar calado pode parecer desinteresse, já começa discordando.
“Eu não concordo, pois acho isto muito temerário da parte de
fulano…” e o outro diz: “Pensando bem, acho melhor adiarmos esta
decisão até a próxima reunião…” e assim vão uma, duas, três e até quatro
horas gastas em conversas paralelas e discussões kafkanianas que ninguém
entende e nem quer entender.
O mais interessante é quando o pessoal começa a
ficar cansado de estar ali sentado. Começa a levantar e sai para um cafezinho.
É só um sair, que começa a fila. E a reunião “de fato” muda de lugar.
Muda para o lugar onde está a grande presidente: “a garrafa térmica”.
E, se o “presidente” acha ruim e diz de falta de consideração que é
essa saição toda, logo alguém retruca: “Saí por causa da fumaça que está
aqui dentro e que ninguém agüenta. Saí só para fumar lá fora…” (essa é
uma das únicas vantagens dos fumantes. Poderem sair das reuniões e ainda serem
elogiados pelos seus companheiros: “Fez muito bem, vá poluir lá
fora!!!”, diz o companheiro, que não percebeu que o cigarro foi o álibi
para fugir daquela chatice de reunião).
Bom mesmo é quando começam os telefonemas. Daí
todo mundo lembra de dar um recado, de receber outro, de dar uma ordem urgente
para sua secretária, etc. E muito comovente é quando um levanta e começa a
limpar os cinzeiros, varrer a sala, espanar o pó dos móveis, etc. É do tipo que
não agüenta ficar sentado nem mais um minuto.
Mas, esse ainda não é o pior. O pior, o mais
chato, o mais intrigante de todos é aquele que quer, por toda força, prestar
atenção em quem está falando. Vá ser chato assim no inferno! É um tremendo
superego! Às vezes, ele sai do fundo da mesa e se põe em pé ao lado para poder
ouvir, pois lá do fundo está muito conversa”.
E a reunião, por incrível que pareça, prossegue,
com deliberações sendo tomadas a todo instante e o pobre do secretário “ad
hoc” (ou haddock?), que aliás ninguém sabe o que significa, se é algum
xingo ou elogio), o coitado que fica ali sentado e que, pelo menos
teoricamente, deve prestar atenção em todas as baboseiras, tomando notas, para
a “Ata”.
Metade já entra não concordando no segundo tema da
“pauta”, que é outro termo esquisitíssimo que se fala em toda a
reunião.
– “Tal assunto não consta da ‘pauta’ de
hoje!”
– Mas poderemos incluí-lo na ‘pauta’. Oras
bolas, é de suma importância e interesse e vamos aproveitar que estamos aqui
reunidos…”
Isto é outra coisa que sempre me irritou. É quando se começa uma
reunião, com a seguinte frase-feita:
“Estamos aqui reunidos…” Ora, se estamos ali é porque
estamos ali reunidos e não é necessário se ficar repetindo que “estamos
aqui reunidos…” o tempo todo.
Suspender a reunião por cinco minutos, é uma
temeridade! Ninguém mais consegue arrebanhar a tigrada para voltar à mesa de
reunião. O pessoal que ficou para o segundo tempo, está literalmente prejudicado,
pois o pessoal se assanhou com a possibilidade de acabar com a reunião (e viu o
quanto seria bom) e daí começa a acelerar tudo, até que acabe.
E como acaba uma reunião?
Por incrível que pareça e por mais triste,
MARCANDO OUTRA!!!
É isso mesmo. Ninguém aguenta mais aquela e marcam
outra! Ë muito masoquismo! Ou sadismo do “presidente”…
Essa é a única decisão unânime e realmente tomada
por todas e ouvida atentamente. É a decisão de “marcar uma nova
reunião…” E essa nova reunião será exatamente igual a esta. Será marcada
para às 08h00min, todos chegarão às 09h00min, sem saber do que se deverá tratar
e tudo continuará até o fim dos tempos, quando, segundo consta, haverá também,
uma REUNIÃO, desta vez entre vivos, mortos, divindades… Deus queira que seja
melhorzinha que as que temos aqui entre os mortais. Se não for, vou pedir…
para fumar lá fora.
Por Luiz Marins.