O cálice está transbordando. Todos os setores da produção e do trabalho estão atônitos e a O Banco Central tem uma história de coincidências com o nosso progresso. Mas também tem
indignação está em níveis sem precedentes, com a última elevação da taxa Selic, gentilmente
concedida pelo Banco Central aos aplicadores e imposta ao setor produtivo. Taxa esta que, a
pretexto de freiar a economia, produz como primeiro efeito o encarecimento espontâneo dos
juros das imensas dívidas públicas federal e estadual. Dívidas que só poderão ser pagas com
mais impostos e mais sacrifícios. Isto sem contar os nefastos efeitos em cadeia, tanto pelo desestímulo à produção e a consequente estagnação da arrecadação tributária, bem como pelo
aviltamento de nossas exportações, pela apreciação artificial da nossa moeda frente ao dólar. A taxa real de juros que o Bacen oferece está batendo em 13%. É a maior do mundo. Compare-se com a segunda maior, que é a da Turquia, 6,7%; ou a do México, 4,7%; ou da problemática Rússia, 2,2%. Precisamos estancar a causa de mais problemas. O País não resiste a mais impostos e o superavit primário já passou do limite. Enquanto o orçamento for desviado para enviar, espontânea e preventivamente, juros que os aplicadores não pedem em lugar nenhum do mundo, não haverá recursos para a saúde, a educação, a segurança e, muito menos, para medidas de alavancagem de empreendimentos geradores de empregos. O sistema de metas para combater a inflação pode estar correio, mas é um imenso equívoco aplicar, continuamente, uma solução clássica para país rico num País em desenvolvimento e extremamente endividado. Não podemos segurar a inflação pagando juros com o dinheiro que não temos. E simples. Ali adiante, precisaremos de mais impostos inflacionários para resolver os problemas que nós mesmos criamos.
um ex-presidente recentemente sentenciado e condenado a 10 anos de prisão por gestão temerária e seu atual presidente denunciado ao STF pela maior autoridade da Procuradoria-Geral da República. Em fins de 98, Gustavo Franco defendia com unhas e dentes que o caos se abateria sobre a economia se os juros fossem menores. Foi substituído e, três meses depois, as taxas caíram de 40% para 26% e, sucessivamente, até 16%, e ninguém saiu daqui fugindo com suas aplicações. Esta última gota de fel é intolerável. Qualquer sacrifício, inclusive outras normas de aperto, teriam sido preferíveis a esta política monetária criminosamente cultuada e que não é exigida ou imposta nem mesmo à Rússia, caloteira de 98, ou da recém falida Argentina. Vemos agora que é inútil apenas propor novos rumos. O atual comando do Banco Central perdeu a confiança dos que produzem. Trabalhadores e empresários, precisamos lutar unidos por uma mudança radical. As gerações futuras não merecem a vergonha do nosso conformismo.
Autor: José Alceu Marconato – Economista, Presidente do Sindilojas/Porto Alegre
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