Começo pela dificuldade que tive em definir o título. Tarifas abusivas ou abuso nas tarifas? Queria dizer sobre o abuso do valor das tarifas que nos cobram em todo lugar, de tudo e por tudo, para viver, e também para morrer. Prevaleceu a idéia de que elas são manejadas, manipuladas. Por isso, o título tarifas abusivas não ficaria com a melhor conotação. Melhor a que contém a acepção abuso nas tarifas. Vamo-nos, então! Por outro lado, devemos crer, as tarifas devem ser satisfeitas, pagas pelos usuários. Mas quero falar é da abusividade do montante do valor que é atribuído a elas, sem que ninguém nos pergunte se podemos pagar ou se estamos de acordo com o tal valor que querem cobrar, e cobram. Na verdade, os preços, as tarifas, as taxas, as contribuições, os tributos, os impostos, os custos todos de manutenção deste elefante branco estatal e de todos os seus demais beneficiários implícitos ou explícitos, alcançam a monumental quantidade de mais de 60 obrigações que saem do nosso bolso, com ou sem emprego, e que consomem, daqueles que ainda conseguem ter emprego e trabalho, quatro meses e meio do seu ganho anual! Estava num banco a pagar contas, ou melhor, a esperar a fila de um banco para pagar contas, e dei-me conta (Ora, veja bem!) do montante do valor que estava eu a esperar para pagar, não ao meu credor, mas ao próprio banco em questão ou a outros congêneres seus. E percebi que de três pagamentos a realizar, apenas um não tinha a tarifa destinada ao banco. Ao preço de somente um dos recibos pagos em minhas mãos, o recolhimento ao banco alcança R$ 120 mil, por mês, de apenas uma empresa da Capital gaúcha. E eram duas contas. E eu pago mais de duas contas por mês com pagamento de valor assemelhado aos bancos! Abuso nas tarifas ou tarifas abusivas? Ora, bolas!
Autor: Nadir Silveira Dias – escritor e advogado
E-mai:nadirsdias@yahoo.com.br
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