O jogo de poder no âmbito organizacional é de assustar aqueles que se baseiam numa ética humanista, onde o indivíduo deve ser respeitado ao invés de ser rechaçado por seus superiores e colegas.
A temática é muito recente em nosso país. Os primeiros textos chegaram em 2001 por meio da obra de Marie-France Hirigoyen, especialista em vitimologia. O assédio moral, ou violência moral, é o reflexo do estilo competitivo em que estamos vivendo, baseado na ênfase da produtividade.
Nesta disputa de poder todos saem perdendo, tanto a empresa quanto o empregado que sofreu a violência. Enquanto o funcionário que foi assediado moralmente por seu supervisor tem um desgaste psicológico, a empresa perde em produtividade. Aqueles que passam por situações constrangedoras têm sua auto-estima deprimida, e assim, acabam por criar desordem na vida social, afetiva, psíquica e profissional.
Após um dia exaustivo de trabalho, um vendedor é humilhado na frente de todos seus colegas e alguns clientes – o que isso pode afetar em sua personalidade? No momento do assédio seria muito plausível o vendedor ficar irritado ou constrangido, mas posteriormente essa agressão pode se tornar algo mais sério, gerando uma depressão e todos os males que podem ser associados a ela.
A questão da ética nas organizações, se não for colocada em pauta por quem ocupa altos cargos hierárquicos será institucionalizada – e o assédio moral será aceito como normal. Os grandes prejuízos vão ser de caráter subjetivo, pois seus efeitos ficarão no cerne de quem foi agredido.