Negócios não planejados corretamente e guiados
ao sabor do vento tendem a fechar as portas muito antes de render pró-labore
A era do jeitinho está chegando ao fim. Pelo
menos no mundo dos negócios. Pode parecer clichê, mas planejamento e estratégia
são essenciais.
A realidade mostra que não há qualquer medida
imediata e milagrosa capaz de livrar uma empresa da inscrição na dívida ativa,
dos juros do cheque especial e da pressão dos fornecedores.
Negócios que não são planejados corretamente e
são guiados ao sabor do vento tendem a fechar as portas muito antes de os
fundadores retirarem seus pró-labores. Inúmeras vezes, por falta de um bom
business plan, grandes ideias e relevantes quantias de dinheiro são
desperdiçadas.
É indiscutível o empenho empreendedor dos
brasileiros. Muitos investem em um negócio próprio e exibem uma destacada
capacidade técnica em seus setores de atuação.
Mas isso
é muito pouco. Em um mercado cada vez mais competitivo, é inadmissível que
empresas recém-criadas ainda iniciem as atividades sem estudar em profundidade
o seu próprio segmento de atuação, as qualidades e deficiências dos
concorrentes e as necessidades do público-alvo.
Entrar no mercado sem nenhum tipo de
planejamento é como navegar em mar aberto sem bússola.
Fica-se à mercê das marés. Por que o
empresariado nacional, mesmo os micro e pequenos, não se utiliza de trabalhos
de business plan para identificar os riscos do negócio, desempenho financeiro,
projeções, captação de parceiros ou investidores, entre outros aspectos?
Além do pouco conhecimento de gestão, boa parte
dos empresários brasileiros carece da falta de capital de giro, não consegue
saldar fornecedores, não recolhe tributos e deixa muitos funcionários sem
receber no final do mês. Uma regra básica – e que poucos cumprem – é não
misturar o bolso da pessoa física com o da jurídica.
Outra é elaborar com perseverança um fluxo de
caixa para controlar melhor as finanças da empresa, seja ela grande ou pequena.
Uma boa saída para os empreendedores que acabam
se tornando administradores, é a chamada auditoria de desempenho. Os benefícios
proporcionados pelos auditores ainda não são amplamente reconhecidos.
Continua a prevalecer a visão de que não passam
de profissionais que apontam apenas problemas – sem apresentar soluções – e
sempre estão ávidos em reduzir o quadro funcional. No entanto, é bom lembrar
que as auditorias são acionadas, via de regra, quando o barco está afundando e
não à deriva.
Nestas situações, em muitos casos, já não há o
que fazer.
Outro exemplo muito oportuno: um planejamento
tributário bem elaborado evita o recolhimento de impostos desnecessários e a
empresa descobre o regime tributário mais adequado – se o de lucro real ou o de
lucro presumido. Como se percebe, a grande maioria dos empresários aproveita
mal o conhecimento e as soluções proporcionados pelos auditores.
Trata-se de uma questão cultural. O
empreendedor deve olhar para o auditor como um parceiro que irá auxiliá-lo da
melhor maneira possível a atingir e concretizar os objetivos da empresa, como a
expansão dos negócios ou geração de exportações. Para a parceria
auditoria/empresa dar certo, é essencial acompanhar o que foi planejado para
atualizar e mudar os rumos do processo.
Se um check-up preventivo pode evitar um enfarte,
uma auditoria preventiva eleva as chances de sucesso da empresa, evita
endividamentos bancários ou pedidos de falência, uma vez que os auditores
conhecem bem o negócio e as particularidades de cada cliente, além de estarem
sempre atualizados.
Ademais, a auditoria estabelece foco com
objetivos estratégicos bem realistas e fornece ao empreendedor um plano de
negócios delineado, que dá um norte seguro para a empresa, mas é preciso
conhecer de antemão os riscos para evitá-los ou minimizá-los e diminuir as
estatísticas de concordatas e falências. Antecipar-se aos problemas ou aos
fatores de vulnerabilidade de uma empresa é uma das funções delineadas por um
plano de negócios, onde são pensados todos os pontos de diferenciação da
corporação ou do produto que ela comercializa.
Com a ajuda dos auditores, o empresário tem uma
importante ferramenta de análise empresarial, que possibilita à empresa
planejar seus passos, desde o início de suas atividades até o seu crescimento,
traçar diretrizes e corrigir eventuais equívocos cometidos até então.
Fonte: Revista Incorporativa/ RP
– Hugo Amano.