Em face dos acontecimentos que estamos vendo pelos
jornais, revistas e televisão, se perguntarmos a algumas pessoas, qual a
definição para ser um verdadeiro político, muitos poderão dizer: “O verdadeiro
político deve ser FIEL ao POVO e às suas IDÉIAS, não a qualquer tipo de
negociata… deve ser HONESTO, HONRADO e ÉTICO e não se dobrar nunca a acordos
que visem o seu próprio benefício ou de seus correligionários, contra os
interesses do povo a quem jurou defender !!! Deve estar sempre atento à
definição NOBRE do termo política: ‘a arte de bem governar os povos’ e nunca às
definições pejorativas: esperteza, astúcia, ardil, artifício, politicagem…”
É
interessante vermos que somos defensores ferrenhos de valores éticos e morais.
E, aqui eu pergunto: quais valores seriam estes? Pois, Queremos acabar com a fome no mundo, mas, na
maioria dos dias e principalmente em dias festivos, esbanjamos tantas
guloseimas, que a sobra acaba sendo jogada fora, e esquecemos que poderíamos
enviar para um asilo, um lar de criança, ou até uma família que esta faminta,
mesmo sendo uma medida paliativa.
Saímos a rua para pregar a PAZ entre as
nações, mas não conseguimos fazê-la dentro de nosso próprio LAR. Criticamos determinadas ações e atitudes dos
Governantes e de algumas pessoas, mas, não movemos uma palha para
ajudar, e nos esbaldamos em criticá-los veementemente, pois é preferível ser
estilingue. Queremos políticos honestos,
porém muitas vezes corrompemos os agentes da administração para que a lei não
seja aplicada em nosso desfavor. Exigimos
saúde, mas, quando somos chamados a ajudar a prevenir determinadas
doenças, nem sempre fazemos a parte que nos cabe. Exigimos uma boa educação e um povo educado, mas: a) em uma via pública
damos preferência de passagem ao veículo e não para o pedestre, e b) quando
nossos filhos foram reprovados, buscamos a lei ou outros meios talvez não tão
adequados para a APROVAÇÃO.
Neste momento me veio a lembrança do que diz o escritor João Ubaldo Ribeiro “nós
vivemos num ambiente de lassitude moral que se estende a todas as camadas da
sociedade e que esse negócio de dizer que as elites são corruptas, mas que o
povo é honesto é conversa fiada. Nós somos um povo de comportamento desonesto
de maneira geral, ou pelo menos um comportamento pouco recomendável”. Como
também o Filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “Não existe no homem, nenhum
instinto de bondade, de verdade ou de beleza. O que existe de fundamental, no
ser humano, é a vontade de mando e de poder. “
Em tese seriam estes os valores que disfarçadamente a sociedade aprova? O valor
que nós damos ao “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?” O
valor que depositamos nos nossos desejos pessoais e nas nossas vontades de uma
maneira tão absoluta e absurda que, simplesmente, esquecemos que não vivemos
sozinhos “nesse mundão de meu Deus?” O valor que damos ao famoso
jeitinho brasileiro que, não custa lembrar, só virou instituição nacional
porque nós lhe damos vida com as nossas atitudes? Sim, porque se formos
honestos e verdadeiros com nós mesmos, somos obrigados a admitir que, no geral,
esses são os nossos valores porque é assim que nós somos e é assim que nós
fazemos, com raríssimas exceções. Os valores que almejamos como ideais,
infelizmente, só existem no mundo das nossas ideias e/ ou como metas a serem
atingidas pelos outros e não por nós”.
Na verdade, não sabemos exercer a democracia; não sabemos fazer valer nossos
direitos, e não sabemos escolher nossos governantes. Não temos união (a não ser
em momentos de grande comoção nacional, por um fato inesperado e em campeonatos
de futebol na qual vamos aos estádios para torcer pelo time do coração) e nem
costume de cobrar dos nossos vereadores, prefeitos, deputados, senadores,
governadores e presidente, o cumprimento de suas funções como nossos
representantes e serem eficazes. Aliás, muitas pessoas si quer se lembram em
quem depositou seu voto na última eleição.
Como diz ainda João Ubaldo Ribeiro “Ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o
próximo presidente terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima
defeituosa que, como POVO, somo nós mesmos”
Tenho a certeza de uma coisa, em curto prazo não conseguiremos mudar essas
barbáries que estão cometendo contra nosso povo, mas se a partir deste momento
ensinarmos nossos filhos o que é ter credibilidade, ética, boa fé, confiança
mútua, amor aos nossos semelhantes, expressões tão execradas do vocabulário da
sociedade da politicagem, conseguiremos dar aos nossos filhos a possibilidade
de viver em um país decente, pois, com esses ensinamentos as palavras até então
citadas seriam mais valorizadas e exercidas com maior frequência. Diz Dom
Helder Câmara-Arcebispo de Olinda e Recife: “Quando você sonha, é apenas um
sonho. Quando muitos sonham o mesmo sonho e o começo da realidade”.
QUE A SOCIEDADE E SUAS REPRESENTAÇÕES FORMAIS ACORDEM LOGO, ANTES QUE SEJA
TARDE DEMAIS.
Uma coisa é certa, reclamar da situação a maioria é mestra, agora, o que você
que está lendo este artigo, já fez para mudar o problema que afeta diretamente
sua vida? Provavelmente nada, não é? Então, boa parte do problema somos nós.
Por Mazenildo Feliciano Pereira.