Um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirma que os trabalhadores
brasileiros estão começando a receber os benefícios da Previdência Social muito
antes de perderem a capacidade de trabalhar. Pelos cálculos dos pesquisadores
Ana Amélia Camarano, Solange Kanso e Daniele Fernandes, em média, o homem que
se aposenta por tempo de contribuição continua no mercado por mais 7,3 anos, e
as mulheres, por 5,4 anos. “Considerando que o aumento da esperança de vida tem
sido acompanhado por melhora nas condições de saúde, e diante da preocupação
com o envelhecimento ativo e a redução no futuro próximo da oferta de força de
trabalho, seria importante criar políticas para manter o trabalhador na ativa o
maior número de anos possível”, propõem no texto os pesquisadores do Ipea.
Atualmente, o brasileiro que atua no setor privado pode se aposentar
após 35 anos de contribuição se for homem ou 30 anos, no caso da mulher. Também
é possível receber o benefício por idade, ao atingir 65 anos (homens) e 60 (
mulheres), além de uma contribuição mínima de 15 anos. Para os servidores
públicos, há uma idade mínima de 55 anos para mulheres e de 60 para homens, com
30 e 35 anos de tempo de contribuição, respectivamente.
Outra mudança defendida pela equipe do Ipea diz respeito às mulheres. Segundo
os pesquisadores, mesmo tendo expectativa de vida mais alta do que a dos
homens, elas se aposentam mais cedo um benefício criado no passado para
compensar o custo da maternidade e, portanto, recebem os benefícios
previdenciários por mais tempo. “A maior esperança de vida feminina aliada à
crescente participação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças na
família estão requerendo uma reavaliação na contribuição por parte das
mulheres, dos tradicionais benefícios (duplos ou não), dos valores da pensão
por morte (igual ao benefício do cônjuge ou fração deste e das adaptações
frente à nova realidade das famílias com mais de um provedor) e das mulheres
que, mesmo casadas, não têm filhos”, afirma o texto.
Fonte: Jornal do Comércio –
05/03/2013 – Página 15.