“A vida é muito curta para ser
pequena.”
(Benjamin Disraeli)
Minha filha
está completando seis anos de idade. Esta é uma das mais incontestáveis provas
de que o tempo voa. Afinal, ainda me recordo dela como um bebê engatinhando,
pronunciando suas primeiras palavras, comemorando seu primeiro aniversário.
Já notou como nossas vidas parecem seguir orientadas por um piloto-automático?
Acordamos em horários regulares, tomamos um café da manhã parecido e seguimos
para nossas atividades pelos mesmos caminhos, enfrentando o
trânsito-nosso-de-cada-dia. Quer você seja um estudante, um atleta ou um
profissional, no seu destino a rotina (do francês routine, o caminho muito frequentado) lhe aguarda: uma sequência
de aulas para assistir, treinos extenuantes para cumprir, reuniões ou ações
operacionais para realizar. No decorrer do dia, um almoço talvez insípido no
mesmo restaurante ou refeitório, alguns momentos fugazes de prazer por telefone
ou pessoalmente com um colega ou familiar, fechando o dia em companhia da TV,
do celular ou da internet, jantando e indo dormir, para recomeçar tudo na manhã
seguinte.
Faça uma breve pausa, por favor. Coloque-se defronte ao espelho e observe como
a vida está passando rápido diante de seus olhos. Cabelos embranquecem ou
começam a rarear, rugas instalam-se em sua face, algumas dores ocupam partes de
seu corpo. Agora olhe ao redor e perceba o mesmo em relação aos seus pares:
pais, irmãos, filhos, amigos.
Minha filha me proporciona ao menos dois momentos muito felizes todos os dias:
quando a desperto e quando a coloco para dormir. Ao acordá-la, com pequenos
beijos e abraços, sinto o calor de seu corpo ainda pequeno e o aroma de sua
pele. Ao abrir os olhos e receber seu carinho, ouço o som de sua voz e toda sua
disposição por iniciar mais um dia. Ela faz questão de descer as escadas em meu
colo, o que ainda é possível, e exige minha companhia ao seu lado enquanto faz
seu desjejum.
À noite, após o banho e o jantar, aquela pequena mocinha, agora com longos
cabelos cacheados e trajando sua ainda infantil camisolinha, sobe as escadas
novamente em meu colo e por alguns minutos, antes de adormecer, conversa comigo
sobre suas ideias, sobre seu sonho de um dia poder voar como uma fada, sobre
como ela julga sua “vida perfeita”.
Então, termino meu dia envolvido pela alegria e tomado por reflexões. É impressionante
como a pureza e a inocência de uma criança têm muito a ensinar a nós adultos
sobre como valorizar e celebrar cada novo dia. Neste momento, lembro-me de
Shakespeare, que dizia: “O tempo
é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito
longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que
amam, o tempo é eterno”.
Por Tom Coelho