Cooperativismo brasileiro e Rio Grande do Sul têm suas histórias intrinsecamente ligadas. É só lembrar que as primeiras Reduções Jesuíticas já adotavam um formato de distribuição dos benefícios do trabalho que se assemelhava, em muito, aos preceitos do cooperativismo. E que a vinda dos imigrantes europeus para o Rio Grande do Sul também foi fundamental para o crescimento e consolidação do cooperativismo no Brasil. Segundo a Federação das Cooperativas de Trabalho do Rio Grande do Sul (Fetrabalho), em Carta Aberta do Ramo Trabalho (no site www.fetrabalhors.org.br), há 80 mil trabalhadores gaúchos associados a cooperativas de trabalho. Esses sócios-cooperados, contudo, enfrentam uma série de dificuldades, decorrentes da visão equivocada de fiscais de órgãos públicos, que ainda avaliam esse ramo do cooperativismo com preconceito injustificável. Somos solidários com os trabalhadores gaúchos que optaram por essa forma avançada, legal, formal e digna de trabalho. O projeto de lei de regulamentação do cooperativismo do trabalho, desenvolvido pela Cootraesp – Central de Cooperativas de Trabalho e Serviços do Estado de São Paulo e pelo Movimento Nacional de Valorização do Cooperativismo de Trabalho (MNVCT/SP), pode ajudar os cooperados gaúchos a trabalhar em paz.
E também ser útil à Previdência Social, afãdando-a a reduzir seu déficit crónico, pela incorporação dos chamados trabalhadores informais às cooperativas de trabalho. Pois, para quem não sabe, os sócios-cooperados contribuem com 11% de sua remuneração para a Previdência Social, descontam IR na fonte e as cooperativas de trabalho abrem suas portas também para os brasileiros que ainda estão fora do mercado formal de trabalho. Sejam bem-vindos!
Autor: Marcelo Cypriano – Presidente da Central de Cooperativas de Trabalho e Serviços/SP