Por muitos anos, empresas de capital aberto e subsidiárias de empresas estrangeiras tiveram a necessidade de elaborar demonstrações contábeis de acordo com diversos GAAPs – Generally Accepted Accounting Principles, que em português significa Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos. A
conversão de demonstrações contábeis preparadas de acordo com os Princípios de Contabilidade para outros GAAPs gerava trabalhos e custos adicionais, além da necessidade da chancela de empresas de auditoria externa com reconhecimento no mercado internacional, as chamadas BIG 5.
Em 2005, com a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e posterior e edição da Lei 11.638 de 2007 e da Lei 11.941 de 2009, o Brasil deu um salto importante na adaptação das demonstrações contábeis aos padrões internacionais, as International Financial Reporting Standards (IFRS).
As alterações introduzidas pelas leis e somadas aos pronunciamentos emitidos pelo CPC, posteriormente
aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e
outros órgão reguladores, vêm modificando as práticas contábeis adotadas no Brasil, convergindo-as aos padrões internacionais para emissão de relatórios financeiros.
Importante ressaltar que as regras das IFRS alteram substancialmente os conceitos até então adotados na elaboração das demonstrações contábeis das empresas. Essas novas regras exigem que o critério do melhor julgamento esteja sempre presente para quem está elaborando as demonstrações contábeis, bem como para o auditor que as examina e que sobre as mesmas deverá emitir opinião.
Evidentemente, a adoção das IFRS exige investimento em treinamento de pessoas responsáveis pelos registros contábeis e elaboração das respectivas demonstrações contábeis, bem como das pessoas que se utilizarão dessas demonstrações como ferramenta de gestão de suas empresas e dos profissionais
envolvidos com o mercado financeiro como um todo, na análise e interpretação dessas demonstrações.
Além de investimento em treinamento de pessoal, as empresas, num primeiro momento, necessitam investir em trabalhos adicionais, absolutamente necessários para que seus registros contábeis sejam adaptados às IFRS, como: avaliação de seus ativos a valor justo e atualizado; análise detalhada da razoabilidade e das possibilidades de realização e estabelecimento do valor presente de seus ativos mais significativos, além da mensuração e do reconhecimento de receitas e despesas, análise de impairment de ativos e apresentação, divulgação detalhada dos instrumentos financeiros utilizados em suas operações e o detalhamento das exposições a riscos.
As empresas de capital aberto, por imposição da CVM, e empresas de grande porte, com cultura de governança corporativa, possuem estrutura de controle e gestão mais adequados, com pessoal treinado a fornecer informações ao mercado e, fundamentalmente, ter a cultura de divulgar com transparência suas informações financeiras, e são as que apresentam o menor grau de dificuldade para adaptação às IFRS.
Por outro lado, as empresas de capital fechado, de pequeno porte e de estrutura familiar, não acostumadas a prestar informações ao mercado, em sua grande maioria vêm encontrando dificuldades e, em alguns casos, resistência da própria administração na implementação das novas práticas contábeis
estabelecidas para o Brasil, bem como na divulgação e apresentação de demonstrações consolidadas em IFRS.
Christan Sfreddo, Diretor da flial de Porto Alegre da BDO RCS Auditores Independentes SS.