Problema causou afastamento por mais de 15 dias de
116 mil trabalhadores no ano passado
Dor nas costas é a doença que mais afasta
trabalhadores no Brasil por mais de 15 dias. No ranking de auxílios-doença
concedidos pelo INSS, ela aparece em primeiro lugar. Em 2016, 116.371
pessoas tiveram que se ausentar do emprego por no mínimo duas semanas por essa
razão. Isso representa 4,71% de todos os afastamentos. O segundo motivo que
mais afastou trabalhadores no ano passado foram fraturas de perna e tornozelo,
seguidas das de punho e mão.
Os dados
apontam que não são as atividades pesadas que mais afastam trabalhadores com
dores nas costas e sim o serviço público, onde há um grande número de pessoas
realizando funções repetitivas. Em segundo lugar estão as atividades
relacionadas ao comércio varejista, em especial supermercados, seguidos dos
ramos hospitalar, de construção de edifícios e transporte rodoviário de cargas.
A
coordenadora-geral de Fiscalização e Projetos do Ministério do Trabalho,
Viviane Forte, diz que que nessas atividades consideradas mais leves, as dores
nas costas são menos evidentes do que na construção civil, por exemplo, porém
também são graves. “No comércio, a dorsalgia é comum nas pessoas que trabalham
como estoquistas, porque elas levantam caixas, fazem movimentos de agachar e
levantar e acabam não prestando atenção na postura. Esse mesmo descuido ocorre
com quem trabalha em escritório por muito tempo sentado na mesma posição”,
explica.
Assim como
ocorre com doenças como estresse e depressão, é difícil diagnosticar se as
dores nas costas são causadas pela atividade profissional ou por algum outro
problema externo. Mas Viviane entende que, independentemente da causa original,
a postura no trabalho influencia no adoecimento. “As pessoas passam muito tempo
do seu dia no trabalho. Se não tiverem o devido cuidado na maneira de se sentarem
e realizarem suas atividades, ou se não respeitarem as pausas necessárias ao
longo da jornada de trabalho, vão adoecer, independentemente de como e onde
tenha surgido a dor”, alerta.
Principais motivos de afastamento
|
Categoria |
Frequência |
|
Dorsalgia |
116.371 |
|
Fratura da perna, incluindo tornozelo |
108.727 |
|
Fratura ao nível do punho e da mão |
93.507 |
|
Fratura do antebraço |
74.322 |
|
Fratura do pé (exceto do tornozelo) |
70.383 |
|
Outros transtornos de discos |
68.515 |
|
Lesões do ombro |
64.491 |
|
Leiomioma do útero |
62.220 |
|
Episódios depressivos |
52.308 |
|
Colelitíase |
51.802 |
|
Fratura do ombro e do braço |
51.717 |
|
Hérnia inguinal |
50.307 |
|
Transtornos internos dos joelhos |
48.029 |
|
Varizes dos membros inferiores |
43.694 |
|
Luxação, entorse e distensão das articulações |
35.432 |
|
Outros transtornos ansiosos |
32.972 |
|
Apendicite aguda |
29.895 |
|
Sinovite e tenossinovite |
28.349 |
|
Hérnia umbilical |
27.020 |
|
Mononeuropatias dos membros superiores |
25.449 |
|
Outros |
1.334.285 |
|
Total |
2.469.795 |
Fonte:
Sistema Único de Benefícios
Ramos de atividade onde mais ocorrem
afastamentos por dorsalgia
|
Classe |
Frequência |
|
Administração pública em geral |
5.145 |
|
Comércio varejista de mercadorias em geral, |
2.852 |
|
Atividades de atendimento hospitalar |
2.751 |
|
Construção de edifícios |
2.487 |
|
Transporte rodoviário de carga |
2.276 |
|
Restaurantes e outros estabelecimentos de |
1.769 |
|
Limpeza em prédios e em domicílios |
1.769 |
|
|