No livro “Freakonomic” (trocadilho em inglês entre ciências econômicas e a palavra “freak” – que tanto significa aberração como entusiasmo), escrito pela dupla Steven Levitt e Stephen Dubner, encontramos diversas pesquisas do professor de economia da Universidade de Chicago Steven Levitt, e com o bom humor do jornalista Stephen Dubner que traduz para o leitor uma gama enorme de estatísticas e termos acadêmicos. Um dos temas abordados, com discussões polêmicas em talk shows americanos, é a relação do aborto com a queda dos crimes violentos nas grandes cidades americanas. Com a legalização do aborto foi visível a queda percentual dos crimes, pois na maioria dos casos o aborto era feito por adolescentes pobres.
Não estou aqui para defender o aborto. Mas vamos pensar com a pesquisa feita nos EUA e transportar para o Brasil. Procedimentos como ligadura de trompa só são permitidos quando a menina chega a idade de 25 anos. Com diversos filhos já gerados, o estrago já está feito e assim assistimos o crescimento de populações empobrecidas com filhos sem futuro nenhum. O Estado assistencialista falido não consegue dar guarida a estes jovens e o que vemos são crianças fazendo malabarismo no sinal, vivendo em buracos de bueiro e em baixo de viadutos ou cooptadas pelo tráfico para serviços de entrega de droga em um caminho que levará ao crime e a morte.
Muitas reformas precisam ser feitas no âmbito político, econômico e estrutural, mas uma reforma básica que deve ser consenso é a revisão da idade para a menina ser encaminhada para fazer um tratamento de contracepção. A questão é tão óbvia que só posso imaginar que os políticos preferem que nasçam mais pobres sem esperança pois desta forma conseguem votos com falsas esperanças.
Autor: Marcelo do Vale Nunes – empresário
E-mail: mvn@portoweb.com.br
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