De acordo com matéria publicada na revista Veja, no Brasil, 10,8 milhões de jovens querem ter negócio próprio e dão mostras de espírito empreendedor
Amanda Bueno, 16 anos, está entre os que tiveram sucesso com o sonho empresarial. Aos 12 anos, ela não conseguia encontrar roupas de seu tamanho e gosto. Foi dessa insatisfação que surgiu a idéia de criar uma loja que atendesse às necessidades específicas das meninas de sua idade. Com o apoio da mãe, Amanda montou a Ponto Teen, que hoje já tem duas lojas no Rio de Janeiro, onde mora a jovem empresária, e uma em Lorena, interior de São Paulo. A parte financeira ainda fica por conta da mãe, mas Amanda – que planeja cursar administração de empresas na faculdade – gerencia quinze funcionárias, faz a programação visual das vitrines e cuida do estoque. “No início, eu ficava tímida quando procurava os fornecedores”, conta ela. A adolescente que fazia grandes compras no atacado gerava desconfiança. Com o tempo, conseguiu respeito.
Tiago Baía e Diego Assef também estão em busca de independência. O primeiro quer assegurar o “crescimento do capital” para garantir um empréstimo que permita a ampliação da gráfica que tem em Manaus. O segundo está “queimando o estoque” dos abajures que produziu com colegas, no Rio de Janeiro. Expressões típicas de empresários são usadas com muita naturalidade pelos dois garotos de 17 anos. Ambos começaram em um programa educacional que incentiva estudantes secundários a montar pequenos negócios experimentais promovido pela associação internacional Junior Achievement. No programa, as “empresas” são organizadas por turmas grandes. Vinte e cinco colegas ajudavam a produzir abajures com garrafas recicladas na empresa presidida por Diego. “Começou a ficar bagunçado e fiz um corte de pessoal”, conta Diego, hoje aluno do 1º ano de direito. Depois do downsizing, ficaram cinco colegas, que montam os abajures e os vendem em uma loja do Flamengo, no Rio.
Tiago não precisou demitir ninguém: quando acabou o programa, com duração de quatro meses, foi o único que se interessou em manter a pequena gráfica produzindo cadernetas e calendários. “Queremos fazer agora um investimento em equipamento de cerca de 40 000 reais, para poder imprimir capas de cadernos, formulários, revistas”, sonha Tiago. A gráfica no momento está em compasso de espera, preparando-se para a ampliação. Mas já chegou a tirar 1 000 reais por mês, especialmente no fim de ano, quando muitas empresas encomendaram seus produtos para distribuir a clientes. O dinheiro foi providencial para a família Baía: os pais de Tiago estão desempregados. Eles têm ajudado na gráfica, e Tiago os inclui em seu sonho de independência. “Não quero ver meus pais trabalhando para os outros. Quero que trabalhem comigo”, diz. As artes gráficas não são o único interesse de Tiago, que deseja cursar engenharia da computação. “No mundo dinâmico de hoje, não podemos ficar em apenas um ramo”, ensina o jovem.
Lorena dos Santos Gonçalves, 16 anos, também ficou sozinha quando o programa do Junior Achievement chegou ao fim em sua escola. Continuou derretendo glicerina e misturando essências cheirosas em casa, produzindo de 500 a 700 sabonetes artesanais por mês. “Minha mãe já tem uma empresa, e eu gosto muito dessa atividade”, diz Lorena, que planeja cursar administração de empresas. A empresa da mãe, aliás, é uma papelaria – uma das três lojas de Goiânia que comercializam os sabonetes de Lorena. Nem todos os jovens profissionais conseguem de início o sucesso de Amanda Bueno. O importante é que eles já pensam grande.