A produção em escala mundial e a integração dos mercados leva, inevitavelmente, à substituição das fronteiras nacionais pelas fronteiras econômicas, consolidando a tendência das economias à globalização e perfazendo, assim, um cenário propício ao fortalecimento e à concentração oligopolista. Essa nova dinâmica da economia mundial, desencadeada pelas transformações oriundas do desenvolvimento tecnológico, acaba impondo limites à capacidade e à autonomia do Estado para planejar. E nesas circunstâncias, ao mesmo tempo em que se adequar às pressões externas da internacionalização das economias e dos mercados, o Estado tem que assimilar o processar o atendimento natural, às demandas provenientes da sociedade.
Exigências que passam a se modificar, deixando de ser unicamente resultado direto de aspirações individuais e incorporando interesses mais coletivos, como a defesa do meio ambiente, da ética e da cidadania, movimento que é favorecido pelo processo político de democratização. Como reflexo dessa realidade, o novo comportamento de organização e de gestão passa pela maximização dos recursos do estado, em busca de maior atenção ao público e aos serviços de melhor qualidade, caso não ocorram mudanças, algumas características, como as parcerias, eficientes alternativas para a solução de problemas pontuais dos diferentes setores sociais, deixarão de refletir essa “segmentação”, ficando à mercê da inevitável limitação.
Para tornar-se mais eficiente, o Estado deverá considerar um padrão de gestão que contemple novos referenciais de produção e que priorize a qualidade e a competitividade. Uma meta comprometida pela insistente busca das condições de potencializar a aproximação com a sociedade, facilitando o controle, a maximização de recursos, a incorporação de novas tecnologias e, especialmente, o processo de gestão através de parcerias. Com isso, poderá recuperar e aprimorar a capacidade de oferta de infra-estrutura eficiente, tão exigida pelo desenvolvimento econômico e social.
O grande desafio, no entanto, paira sobre os hábitos enraizados em uma organização tradicionalmente marcada pelo alto nível de controle, pela não-valorização dos resultados, pela falta de qualquer política de bom aproveitamento de recursos humanos, pela não-incorporação de novas técnicas de trabalho e, mesmo, pela predominância histórica de uma cultura clientelista. É necessário recusar o mito de que a competência gerencial é exclusiva do setor privado e estimular um cenário onde o setor público possa criar as condições necessárias para desfazer a visão estereotipada de que público é sinonimo de incompetência. De um modo geral, a saída para os novos gestores passa pela “nova organização”, pelo “novo estado” que, alicerçados na valorização da criatividade e na gestão estratégica de RH, almejam a ênfase prioritária aos resultados.
Antonio Cesar Gargioni Nery
Economista, administrador público, consultor com pós-graduação em RH e Planejamento Estratégico.