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Gráficas devem começar a atuar em novos segmentos


O presidente do Sindicato da Indústria Gráfica no Rio Grande do Sul (Sindigraf-RS) e da Associação Brasileira Indústria Gráfica, no Rio Grande do Sul (Abigraf-RS), Carlos Evandro Alves da Silva, diz que as gráficas devem começar a procurar outros nichos de mercado. “Há 10 anos, ou mais, o computador foi nosso grande aliado, por sua vez, hoje em dia, ele é um concorrente. As pessoas podem fazer tudo no computador, diminuindo o uso de papéis e conseqüentemente; diminuindo nosso trabalho”.

Os mercados em que as gráficas podem investir, de acordo com Silva, são embalagens, manuais, livros didáticos, rótulos, adesivos, promoções, catálogos: “Temos que ver saídas”, sinaliza. A indústria gráfica no Estado tem um faturamento de R$ 1 bilhão anualmente.

O diretor comercial da gráfica LKM de Santa cruz do Sul, Luiz Desimon, diz que entre as medidas que a gráfica vai tomar para contornar os prejuízos está a de voltar-se para o mercado de material didático. A gráfica fatura R$ 3 milhões por ano. “Pretendemos nos manter neste patamar”, enfatiza Desimon.

A diretora executiva da Promoarte, Márcia Rothfuchs de Lima, acha que os empresários que possuem máquinas de formulários contínuos já se prepararam para um novo segmento de mercado, visto que a impressão de contínuos vem diminuindo há muitos anos. “No nosso caso, estamos mais voltados para o segmento de produção de peças promocionais de marketing e editorial, sendo que os impressos fiscais não têm grande representatividade no nosso faturamento (cerca de 1 °lo), o que demonstra que não afetará nosso trabalho. Nosso faturamento no último ano girou em torno de R$ 1.400.000,00.”

O presidente do Sindicato da Indústria Gráfica no Rio Grande do Sul (Sindigraf-RS) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, no Rio Grande do Sul (Abigraf-RS), acha que a crise é sazonal. “Hoje é o mercado gráfico amanhã é outro”, finaliza. Márcia diz que o Brasil vive um momento angustiante. “Enquanto os governos teimam em manipular dados mostrando números ilusórios como o aumento no número de empregos, o controle da inflação e a melhora na condição de vida do povo, o que se vê é um povo cada vez mais pobre e ignorante, sem objetivo de vencer na vida.

O mercado gráfico, assim como todos os outros segmentos de trabalho estão cada vez mais diminuindo sua margem de lucro. Nós que temos como clientes todos os segmentos da economia, vislumbramos um quadro muito preocupante”.



ICMS Eletrônico e reforma política exigem mudanças no setor gráfico



 

O ICMS Eletrônico e a reforma política podem contribuir para uma nova realidade dentro do mercado gráfico brasileiro. O primeiro reduzirá a impressão de notas fiscais e o segundo, poderá diminuir o número de materiais políticos lançados em épocas de eleição. Para evitar prejuízos, as gráficas deverão munir-se de idéias para encarar um novo mercado.

A Secretaria Estadual da Fazenda do Rio Grande do Sul apresentou a empresários e entidades de diversos setores, no dia 28 de julho deste ano, o ICMS Eletrônico. Na prática, o projeto fará com que a via impressa da nota fiscal destinada ao Fisco passe a ser registrada eletronicamente pelo contribuinte.

O diretor da Receita Estadual da Secretaria da Fazenda do Estado, Luiz Antônio Bins, diz que o e-ICMS trará redução de custos para os contribuintes, além da facilidade no arquivamento de informações, sendo possível suprimir vias de papéis.

Para Bins, o ICMS Eletrônico ainda não traz prejuízos às gráficas. “É um projeto inicial, gradual, por enquanto o impacto é zero”, argumenta. Sendo um processo inicial, apenas duas empresas – a Vivo e a Toyota -estão usando o ICMS Eletrônico, mas o secretário já recebeu outros pedidos de adesão. “No futuro, pode existir algum impacto nas gráficas que imprimem talões, mas isso faz parte da evolução”, completa Bins.

O presidente do Sindicato da Indústria Gráfica no Rio Grande do Sul (Sindigraf-RS) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, no Rio Grande do Sul (Abigraf-RS), Carlos Evandro Alves da Silva, não acredita que o mercado gráfico sofrerá prejuízos. Mas pondera que a indústria precisa de um tempo para adaptarse ao ICMS Eletrônico. “O comércio ocupava uma fatia grande no nosso mercado, 70%, mas isso já diminuiu não por causa do ICMS Eletrônico e sim pelo Copom Fiscal, há uns oitos anos”. Silva ainda comenta que o mercado gráfico terá uma sobrevida de 2 a 3 anos com a chegada do e-ICMS.

A diretora executiva da Promoarte, Márcia Rothfuchs de Lima diz que existem poucas gráficas hoje, cujo faturamento no segmento de notas fiscais é representativo, desde que o sistema de apuração do ICMS mudou. “Nessa época as gráficas realmente tinham um faturamento expressivo com a impressão de notas fiscais, pois existiam mais de dez modelos referentes ao ICMS.

Com isso, o faturamento neste segmento representa menos de 03% do total faturado na indústria gráfica. Porém as indústrias de formulários contínuos, especializadas na impressão de documentos fiscais e as micro-empresas que possuem um ou dois funcionários, são as que mais sentirão esta mudança, pois para eles estes documentos representam grande parte de seu faturamento”, afirma Márcia.

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