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Investigação: golpes em empresas que têm dívidas com a Receita Federal


Cinco pessoas
são suspeitas de 30 fraudes, sendo que somente em duas delas teriam causado
prejuízo de R$ 3 milhões a dois empresários de Viamão e Tramandaí



A Polícia Civil
deflagrou, na manhã desta quarta-feira (31/08/2022), uma operação em São Paulo,
Santa Catarina e no Rio Grande do Sul contra um grupo paulista suspeito de aplicar golpes em empresas gaúchas que têm
dívidas com a Receita Federal. Cinco pessoas são alvo de 11 mandados de busca.


São ao menos 30 fraudes investigadas – sendo que,
segundo a polícia, duas já foram confirmadas. Dois empresários de Viamão Tramandaí somam
prejuízos de R$ 3 milhões.


A investigação realizada pelos agentes da Delegacia de
Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão apurou que as duas
empresas foram vítimas em 2018 e que, desde então, outros 28 processos
suspeitos foram identificados. De acordo com o delegado Eduardo Amaral,
empresários podem ter sido lesados em vários Estados com cifras muito
maiores do que já foi comprovado.


A chamada “Operação Junk Bonds” mira em um
esquema que ofertava serviços intermediários – por meio de compensações
tributárias – para reduzir valores devidos por pessoas interessadas em acertar
as contas com o fisco. Acreditando ser uma operação legal, os empresários
repassaram dinheiro para os golpistas e seguiram devendo para a Receita.


Do total de mandados de buscas, nove são em São Paulo, onde fica a sede da empresa investigada, um em Santa Catarina e outro no Rio Grande do Sul. Em
relação aos cinco suspeitos, são dois advogados gaúchos, um de Porto Alegre e
outro de Canoas.
Inclusive, uma das ordens judiciais é nessa última cidade. Os demais suspeitos
são paulistas: um advogado, um contador e um administrador de empresas.


Todos tiveram documentos e computadores apreendidos.
Houve ainda o bloqueio de contas vinculadas a 35 Cadastros Nacionais da Pessoa
Jurídica (CNPJ) e CPFs, bem como a restrição de cinco veículos que podem ser
usados judicialmente para ressarcimento.


Como funcionaria o golpe


Os três paulistas, que representam a empresa suspeita,
montaram há alguns anos no bairro Moinhos de Vento,
zona norte de Porto Alegre, um escritório e usavam os dois advogados do RS para
entrar em contato com empresários que estavam devendo para o Fisco.


Os investigados então ofereciam uma compensação
tributária por meio de títulos de dívida pública e se valiam deste suposto
crédito da empresa deles junto ao Ministério da Fazenda para transferi-lo às
vítimas. Isso tudo mediante acordo e com um deságio de até 35%. Até esse ponto,
conforme a polícia, tudo transcorria como se fosse uma operação legal.


Com uma procuração recebida das vítimas, o grupo
paulista acabava zerando a base de cálculo dos tributos devidos pelas empresas
na Receita Federal para parecer que a compensação de fato estava sendo
efetivada. Os investigados, que haviam firmado contratos com as vítimas para
dar credibilidade à operação, enviavam documentos de protocolos junto à Secretaria
do Tesouro Nacional. Tudo isso para despistar inicialmente a fraude e para dar
uma aparência de êxito na operação financeira.


– Aparentemente seria um negócio vantajoso. Mais
adiante, as vítimas, pelo menos os dois empresários gaúchos que já comprovamos
terem sido lesados, verificaram que o suposto crédito oferecido era referente a
um título da dívida pública prescrito em 2008, configurando uma fraude, uma
operação não permitida, totalmente ilegal – ressalta o delegado Amaral.


Dessa forma, quem repassou dinheiro para os golpistas
verificou que a dívida com a Receita não havia sido quitada e passou a procurar
a polícia.

Além de desembolsar valores para estelionatários, os empresários
tiveram de gastar com advogados e com a renegociação dos débitos.

A empresa de Viamão é do ramo de refrigeração e a de
Tramandaí trabalha com soluções ambientais. Os proprietários chegaram a
desembolsar quantias de R$ 20 mil e de até R$ 80 mil mensais como comissões
para os supostos intermediários da compensação tributária que nunca ocorreu.


Como a investigação continua, principalmente porque há
mais 28 procedimentos similares na Secretaria do Tesouro Nacional, os nomes dos
suspeitos não foram divulgados pela polícia. Os crimes apurados são estelionato
associação criminosa.

Fonte:
Gaúcha ZH, com edição do texto pela M&M
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