Vá à janela. Olhe para a rua por alguns segundos e o que observarás?
Por certo algum congestionamento. É o normal hoje em dia em nossas ruas. Não só nas mais movimentadas. Nestas durante todas as horas do dia e algumas da noite o que se vê são os “para e anda” dos veículos automotores…
Será que Henry Ford ao inventar o automóvel pensaria que o seu produto preto algum dia iria provocar tanto tumulto e tanta poluição em função dos congestionamentos?
Acredito que não. Ou, talvez, esteja vendo e sorrindo e ainda afirmando com seus colegas lá de cima: “Viram só que produto notável?… Todos param para vê-lo e ainda por cima ficam falando a respeito destes bólidos…
É o progresso das cidades? Ou é a falta de planejamento dos especialistas em tráfego e urbanismo? Acredito que ambas as partes tem razão neste caos que está se transformando o ir e vir junto às ruas das grandes cidades deste país. Algum dia voltaremos a andar a pé e deixar nossos bólidos em casa, de enfeite… Sinal dos tempos…
As ruas, em particular estão apavorando os transeuntes, em função do grau de poluição que estes carros estão provocando, principalmente, em função das paradas com os motores ligados. As estradas também, dependendo dos feriados ou finais de semana estão se transformando num verdadeiro inferno…
As montadoras de automóveis estão satisfeitíssimas. Os bancos estão satisfeitos pois as vendas, principalmente a prazo, estão de “vento em popa”. Chega a ter listas de espera junto às concessionárias de veículos para aquisição destes produtos. Os juros estão despencando… Está favorecendo àqueles que desejam se endividar… “O juro está baixo, lá vou eu…”. Muitos não pensam no dia de amanhã…
As lojas de semi-novos e não “usados” (termo não mais utilizado) também estão satisfeitas com o mercado aquecido. Tudo está aquecido…
Veículos americanos, franceses, japoneses, coreanos, italianos, alemães e de tantas outras origens. Todos ou quase todos realizados ou montados no Brasil. E todos ou quase todos a adquirir o produto “carro” – o produto do “status”.
Ao adquirirmos um apartamento, a primeira indagação ao corretor de imóveis: “Quantas vagas para os carros?”. Vem a resposta: “Quatro e talvez possa ter a quinta”. Ah! Bem, esse me serve…
Os outros detalhes vem depois. Tudo em função dos veículos da família. Daqui para frente, talvez tenhamos mais carros na nossa casa do que integrantes da família. Serão os veículos do rodízio semanal…
E o que fazer? Olhar para a janela. Ouvir os buzinaços e voltar para o computador. Rever os e-mails. Dizer aos amigos de outros países que aqui está quase tudo parado. Não é greve. São os congestionamentos. E eu estou a responder os e-mails pois não estou me atrevendo a sair de casa.
Estou me acostumando em realizar minhas tarefas somente junto ao computador principal. Está sendo, ao menos por enquanto, o único que não tem congestionamentos, apesar de que em algumas oportunidades o provedor também me atrasa. Acredito que também ele está entrando nos congestionamentos… Até quando esta palavra – congestionamento – estará entre nós?
Não sei a resposta. Mas vem a pergunta:
“Já trocaste de carro?”. E respondo: “Não…”
David Iasnogrodski é formado em Engenharia Civil, Administração de Empresas e Administração Pública pela UFRGS.
Exerce atividades como Engenheiro Civil, na Prefeitura de Porto Alegre, e, como professor, na Faculdade São Judas Tadeu, ADVB/RS e ABRH, nas disciplinas que envolvem o mundo dos negócios, com ênfase na área motivacional.
É colaborador de diversos jornais, tendo conquistado o primeiro lugar no Concurso Nacional Literário da Casa do Poeta Riograndense/2001.
Autor dos livros: “Obrigado Porto Alegre”, “Atendimento 10 – A Fórmula do Sucesso” , “Meu Bom Fim Brasileiro“, dos Livros CD: “A Marca é que Marca” e “Moderna Relação Marketing e Vendas” e do livro: Roteiro de Sonhos.

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