Na América do Sul o primeiro país que se encaminha para chegar aos padrões de primeiro mundo é o Chile. Com o receituário liberal, o Chile leva a risca o controle fiscal, livre-comércio, banco central independente e regras estáveis criando um ambiente favorável para o desenvolvimento de negócios. Resultado é que todos os indicadores do país andino destoam dos vizinhos para desespero da esquerda que se acotovelava nas oficinas do Fórum Social Mundial recentemente realizado em Porto Alegre.
Claro que a explicação do sucesso chileno não se resume somente a aplicação dos modelos que brotaram na Universidade de Chicago, explicitado anteriormente. Mas o fato é que desde o período de ditadura até a recente história democrática do país, todos os governos, de qualquer tendência ideológica, seguem a risca o receituário e desta forma o que vemos é um país que vive com a cobrança de apenas dois impostos, o de imposto de renda, cuja alíquota vai até 42%, e o importo sobre valor agregado (IVA), cobrado em toda a venda, com alíquota única de 19% até o final de 2005 (quando deverá cair para 18%).
Com todas as premissas postas em práticas, o cenário construído faz com que o risco-país atinja somente 65 (em pontos base), o PIB cresça a quase 6% ao ano, bem acima do resto da América do Sul, a carga tributária sobre o PIB incida somente 24%, ainda vemos a renda per capita chegar a US$ 10.373,00 ou o índice de analfabetismo atingir a praticamente zero. Este processo, que vem desde a ditadura, criou uma classe empresarial que enfrenta a concorrência externa, sem subsídios ou ajuda governamental, fazendo com que em diversos ramos de negócios o Chile esteja prestes a bater líderes mundiais. Evidente que muito terá que ser feito naquele país, mas o que fica de lição para o Brasil, guardada as proporções de tamanho e de dificuldades estruturais é que sem disciplina fiscal, um marco regulatório estável, investimento maciço em educação e uma classe política engajada no processo não se poderá atingir patamares de primeiro mundo e até que algo aconteça parece que estamos longe de ir por esse caminho. Uma pena!
Autor: Marcelo do Vale Nunes – Empresário
E-mail: mvn@portoweb.com.br
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