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Logística: A Palavra de Ordem

Muito se fala em logística, mas muito mais se referencia o termo, a qualquer tipo de organização ou empresa.


No contexto atual de crescentes exigências em termos de produtividade, qualidade e rapidez nos serviços oferecidos, a logística assume um papel fundamental para as atividades (internas e externas) da empresa. Mas muito antes de estar associada a atividades empresariais, a logística é uma atividade exercida estrategicamente por militares e, pode ser definida como um ramo da ciência militar que trata da obtenção, distribuição, manutenção e reposição de material e pessoal e que passou a incluir atividades de estoque e transporte a partir do momento em que as empresas passaram a se preocupar com a circulação de produtos e serviços ao longo da cadeia logística.


O modismo pelo termo “logística” é tão impactante que há qualquer momento e lugar nos deparamos com alguém vendendo a imagem de que sua empresa oferece serviços de “logística integrada”. Mas como seria um serviço de “logística desintegrada-desmembrada”? Logística não é integração de partes disjuntas, organização a fim de buscar a máxima eficiência? Sem citar ainda os que se intitulam “operadores logísticos”, que segundo Associação Brasileira de Movimentação e Logística – ABML, são os fornecedores de serviços logísticos, especializados em gerenciar atividades logísticas nas várias fases da cadeia de abastecimento e que tenham competência para prestar no mínimo as atividades básicas de controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes.


A questão é que a corrida para se estar atualizado e competitivo neste mercado global, traz junto uma enxurrada de conceitos e teorias nem sempre adaptadas às realidades de outros países, governos e culturas econômicas e sociais, mas mesmo assim a busca pelo alcance e manutenção desta vantagem competitiva faz com que empresas experimentem estes conceitos, muitas vezes realizando a mesma atividade antes exercida. Trata-se de um neologismo de teorias sem o entendimento e resolução dos alicerces estruturais e culturais.


É preciso arrumar a casa, entender conceitos e adaptá-los as reais necessidades. Não podemos (nós brasileiros) querer nos equiparar a países da Europa ou aos Estados Unidos. Para começar, temos uma extensão territorial que compreende a soma de muitos destes países e com folga. Só de litoral temos uma extensão de mais de 7 mil quilômetros, temos uma infra-estrutura portuária, rodoviária e ferroviária sucateada, necessitando de investimentos e modernização urgentes. Produzimos mais grãos do que podemos armazenar, investimos pouco ou quase nada em navegação de cabotagem, em renovação da frota rodoviária. Temos uma legislação que na maioria das vezes é um entrave ao desenvolvimento, nos falta uma rede informatizada que conecte vários serviços, agilize e desburocratize a circulação de produtos e, uma quantidade exacerbada de impostos que não estimulam ninguém a investir e ampliar seu empreendimento, além de um corporativismo arraigado em anos de vantagens concedidas em detrimento ao bem coletivo e público.


Como podemos falar com tanta ênfase em logística com falhas e comprometimentos infra-estruturais básicos? Como podemos pensar em “gerenciamento da cadeia de suprimentos” em “relação com o cliente” se muitas vezes não temos a menor idéia de onde se encontra uma mercadoria dentro do próprio armazém? Se muitas vezes o transportador nem se quer entregou o produto dentro do prazo estabelecido. Se os agentes da Receita Federal têm horários tão restritos para o despacho aduaneiro na importação e exportação? Se nos falta organização e comunicação básicas?


È claro que não podemos ser tão dramáticos assim, embora a situação seja aterrorizante, encontramos por ai, alguns bravos que investem, se organizam, oferecem serviços e produtos de qualidade e sobrevivem a este cenário competitivo. E são estes bravos que devem servir de cases ou como se referenciava há algum tempo atrás, estudo de caso.


No Brasil, estima-se que os gastos com atividades logísticas correspondam à cerca de 17% do PIB, sendo mais da metade destes gastos destinados a atividade de transporte, seguidos por armazenagem e produção. Nos Estados Unidos, as atividades logísticas equivalem a 10% do PIB. Necessitamos de um órgão gestor responsável pela coordenação e execução das práticas logísticas bem como de seus praticantes, pois com toda esta desorganização, o mercado de operadores logísticos cresce assustadoramente cerca de 5% a cada mês. Na América do Norte, a atuação dos operadores cresceu 15% ao ano, nos últimos seis anos, e na Europa, o crescimento ocorre a taxas de 20% ao ano. No Brasil, através de dados levantados pela ABML, em 2000, identificava-se 98 operadores logísticos em atividade. Em maio de 2001, esse número era de 170 e o faturamento do setor atingia R$ 1,4 bilhão. Em julho de 2002, já eram 200 operadores. É recomendável que o poder público exerça esta governança, ditando medidas regulamentadoras para o desenvolvimento e exercício das atividades logísticas.

Autora: Profª. Dra. Patrícia Costa Duarte
E-mail da Autora: 
pcduarte@producao.ufrgs.br

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