Não quero polemizar
sem necessidade, mas o que falta às empresas é foco e não missão. A missão da
maioria das empresas é quase sempre a mesma: ser a melhor ou a maior no que faz
ou produz, dar retorno aos acionistas, ser lucrativa, fazer produtos de
qualidade, prestar serviços de qualidade, respeitar o meio-ambiente, respeitar
os colaboradores, ser o fornecedor preferido de seus clientes, etc.
Todas muito iguais.
O que falta é foco!
Aprendemos em filosofia que uma afirmação ou postulado é absurdo quando o seu
oposto radical é igualmente absurdo. Assim, quando escrevemos que a missão de
nossa empresa é ser a primeira, a maior, a melhor ou ser lucrativa, teríamos
que perguntar se seria possível alguma empresa ter como missão ser a última,
ter prejuízos, fazer produtos de má qualidade, ou ainda desrespeitar o
meio-ambiente, etc. Essas afirmações são, portanto, óbvias e nem precisariam
ser escritas como missão de empresa alguma.
O que falta é foco!
Vejo que as
pessoas que compõem boa parte das empresas sabem muito bem a sua missão, mas
desconhecem com a mesma clareza o foco. Onde dispender sua energia, o que fazer
e como decidir frente a situações específicas do dia-a-dia, nas relações com
clientes, fornecedores e mesmo em relação a problemas concretos de qualidade e
produtividade é que deve ser a preocupação de todos.
Os colaboradores de
uma empresa devem ser avaliados pelo seu comprometimento com o foco e não com a
missão de uma empresa. Para onde vamos? Como vamos chegar lá? Estamos no
caminho certo? Temos os recursos necessários para ir? Quando chegaremos? Isso é
que deve ser avaliado. Devemos avaliar comportamentos claros, mensuráveis,
concretos, observáveis e não atitudes abstratas como “ter a preferência
dos clientes…”.
Acredito mesmo que
esse auto-engano estéril e generalizado que é a discussão da missão de uma
empresa, tem levado muitas organizações ao fracasso. Digo isso porque a falta
de foco, da discussão exata e clara do que estamos buscando cria o ambiente
propício para o baixo comprometimento e a total falta de feedback que vemos nas
empresas brasileiras. Basta ler os quadrinhos que enchem as paredes das
empresas com sua missão e se verá que são todas iguais, óbvias, ululantes e,
portanto, enganadoras.
Outro dia vendo a missão de uma empresa, fiquei pasmo ao ler que ela afirmava
que “pagará seus impostos e tributos e agirá com honestidade com clientes
e fornecedores”. O que é isso? Pagar impostos e ser honesto não é
missão. É obrigação! Assim como é obrigação de qualquer empresa ou organização
que se preze respeitar o meio-ambiente e fazer tudo com a maior qualidade e
respeito ao ser humano. Ou não é?
O que falta é foco. Cada diretoria, cada gerência, cada departamento, cada
sessão, puxa para um lado, quer uma coisa diferente e a empresa, confusa e
desfocada, não consegue o comprometimento e a motivação das pessoas, que como
baratas tontas ficam imaginando o que fazer para cumprir a “missão”
escrita no quadrinho dourado da recepção.
Pense nisso. Sucesso!
Por Luiz Marins.