Uma moral que leva o homem a negar sua liberdade e escraviza sua consciência, aniquilando o senso crítico por selar a interferência no livre arbítrio, é na verdade uma moral prejudicial. A moral dos fracos sobrepôs a verdadeira moral, que, em decorrência de fatos históricos, gravemente correlacionou política e religião.
O ponto chave do problema reside na domesticação do homem, ensejada por sua falta de discernimento. A ausência de auto-reflexão resultou no desvio do caminho virtuoso, levando o homem a renegar sua própria origem. O homem foi reduzido a um animal manso, limitado e alienado. Tornou-se anódino pela moral “doentia” que ensinou o homem a extorquir em nome de “Deus”. Essa moral torta que abriga os ardilosos e espontaneamente domina, é responsável pela inversão dos valores, o que privilegia o mal indesejável.
Nesse ponto, o filósofo Nietzsche criticou duramente o cristianismo, colocando que a moral de rebanho é a moral de dominados. Sabiamente, o filósofo assim colocou: A questão da origem dos valores morais é, portanto, uma questão de primeira importância, porque condiciona o futuro da humanidade. (…) Quando se põe de lado a gravidade da autoconservação, quando da anemia se constrói um ideal, do desprezo do corpo se faz a salvação da alma, que outra coisa é senão uma receita da decadência? (…) o desinteresse eis o que até agora se chamou moral (…). E continua: (…) são os bons, apenas os pobres, necessitados, feios, doentes são os únicos beatos, os únicos abençoados, unicamente para eles há bem-aventurança – mas vocês, nobres e poderosos, vocês serão por toda eternidade maus, os cruéis, os lascivos, os insaciáveis, os ímpios, serão também eternamente os desventurados, malditos e danados!
Para Nietzsche, o cristianismo prega a fuga da realidade, cujas ilusões negam o real. De fato, o que vemos nos meios de comunicação em massa, são discursos moralistas altamente soberbos, de estilo “adestrador” e totalmente incompatíveis com o significado literal da Bíblia. Assim, o aprisionamento do rebanho provoca um estado de fraqueza.
Por derradeiro, o pensador alemão afirma que o cristianismo é a história de dois mil anos de distorção e incompreensão da proposta de Jesus. Contudo, diante de uma análise honesta, o patrimônio acumulado de algumas igrejas, reflete a distorção do evangelho pregado por aquele que andava de sandálias e tinha apenas uma roupa e se orgulhava de ser filho de pais humildes. Jesus jamais exigiu dinheiro de seus fiéis seguidores, colocando acima de tudo, a humildade e o amor ao próximo.
Carlos Brito – Contabilista.
